Polícia acusada de disparar mortalmente contra adolescente de 16 anos no bairro Uíge
Agentes da Polícia Nacional estão a ser acusados de repelir uma manifestação que decorria na manhã desta quarta-feira, 15, no bairro Uíge, Distrito Urbano do Ngola Kiluange, município de Luanda, e, na sequência terão disparado mortalmente contra um jovem inocente.
Por: Jurelma Coxe
O crime terá acontecido na manhã de ontem, quarta-feira, 15, na via que liga o bairro Uíge e Tecnocarro, quando a população manifestava para exigir melhoria daquela via, que anda degradada há muitos anos.
“A Polícia mais uma vez nos prova que anda ao serviço do Executivo, fez mais uma vítima, ao invés ir para garantir a segurança e integridade das pessoas, foi lá violar o bem fundamental que é a vida”, atirou um morador.
Num vídeo posto a circular nas redes sociais, é possível ver a vítima, sem vida, caída e ensanguentada junto a uma parede
“É de lamentar o comportamento das nossas autoridades que não se preocupam com as necessidades do povo”, lamentaram.
Revoltada, a população barrou as ruas queimou pneus nas vias circundantes.
Polícia nega acusações
Em nota chegada à nossa redacção o Comando Provincial de Luanda da Polícia Nacional, diz que tomou conhecimento da notícia que corre nas redes sociais, sobre a morte de um menor de 16 anos de idade por disparo de arma de fogo, protagonizado por um efectivo da Polícia Nacional na sequência de uma manifestação.
Sobre o assunto, o CPL esclarece que a morte do menor não teve nenhuma relação com a manifestação.
De acordo com a nota, momentos antes da morte do cidadão, as forças policiais estavam envolvidas na contenção de uma manifestação não comunicada, realizada por um grupo de cidadãos utentes das estradas (nomeadamente taxistas, camionistas, mototaxistas e moradores), que barraram as estradas dos Bairros Farol das Lagostas e Uíge, no Distrito Urbano do Ngola Kiluange, que dá acesso ao centro da cidade, queimando pneus e inviabilizando a livre circulação de pessoas e bens, sob pretexto de que a administração local nada está a fazer para melhorar as condições dessa estrada.
De acordo com o comunicado, esta intenção foi controlada pelas forças policiais que dispersaram os manifestantes, repondo a ordem.
No entanto, continua, por volta das 13H30, no mesmo local, quando um grupo de cidadã os integrantes de um cortejo fúnebre regressava do enterro de um cidadã o que foi vítima de Homicídio por parte do seu amigo, ocorrido no dia 11 de Fevereiro do corrente ano, com a intenção de fazer retaliação junto da família do presumível autor do homicídio, depararam-se com as forças policiais que realizavam o patrulhamento naquela zona.
As forças policiais na tentativa de impedirem a intenção de retaliação pelos integrantes do cortejo fúnebre, foram surpreendidas com arremessos de pedras e outros objectos, resultando em ferimentos a dois agentes da ordem. Diante da situação, as forças policiais viram-se forçadas a defenderem-se, efectuando disparos para os dispersar, tendo um dos disparos atingido o cidadão, pelo que, foi aberto um inquérito para apurar os factos.
O Comando Provincial lamenta o incidente e mostra-se disponível para prestar o apoio necessário a família enlutada, e apela aos cidadã os a absterem-se de qualquer acto de desordem e a manterem a calma, colaborando com as forças policiais e a denunciarem todo e qualquer acto tendente a subverterem a ordem e a tranquilidade públicas.










