Jovem assassinado e enterrado num quarto por amigos “aparecia todos os dias no sonho dos homicidas”
Ernesto Raimundo, "Nina", de 25 anos de idade, com ajuda do seu comparsa que responde apenas pelo nome de Mauro, mataram João Manuel Raul, de 37 anos de idade, com quem se desentenderam por causa do pincho, e enterraram o corpo no quarto, onde o crime aconteceu.
Por: Cambundo Caholua
Nitidamente calmo, o jovem Nina explicou que tudo começou quando o amigo, após estar supostamente embriago, pediu que lhe dessem pincho para acompanhar o vinho que bebia, mas responderam-lhe que já não havia dinheiro naquele instante.
Depois de responder que não tinha dinheiro, o malogrado deu-lhe uma chapada e este devolveu-a. A partir dai, instalou-se a briga; e não tardou, aparece o comparsa, no caso, Mauro, que tão logo se apercebeu da confusão foi em defesa de Nina.
"Assim que o Mauro chegou tirou a faca que estava na cintura e espetou-a no lado direito do abdómen, e eu não hesitei, recebi a mesma faca e acrescentei mais duas facadas no lado direito e no pescoço, propriamente na garganta, tendo causado morte imediata", narrou.
Confessou ainda que, depois do crime, tinha vários pesadelos, em que o malogrado aparecia no sono, tanto quando estava em Luanda como no Kwanza Sul, onde se refugiou depois do crime.
Sentiu-se tão perturbado que contou a situação dos pesadelos à sua mãe, e esta não hesitou e foi a uma esquadra policial, onde denunciou o filho, permitindo assim a sua detenção.
A esposa do malogrado, Isabel Faustino Janeiro, de 31 anos de idade, disse a este jornal, que Raul saiu no dia 27 de Janeiro a fim de ir trabalhar de moto, mas nunca mais voltou.
"Nina é um ingrato, porque nós o ajudamos muito; sempre que o meu marido fosse ao trabalho, de volta dava-lhe dinheiro, e havia momentos que ele tirava dinheiro à força, mas nunca falamos nada", descreveu Isabel.
Revelou também que Nina, antes de assassinar o seu marido, gabava-se de ter matado muita gente e que os seus corpos nunca seriam achados.
"Ele confessou-me que era um demónio, que matava e não lhe acontecia nada; que já matou muita gente e que sempre enterra os corpos", contou, afirmando que depois explicou ao seu marido, sugerindo que deviam afastar-se dele, "mas infelizmente não houve tempo".
Já a irmã do malogrado, Cecília Mendes Raul, de 32 anos de idade, lembra o irmão como alguém acolhedor e apela que a justiça seja feita.
"Que se faça justiça, meu irmão foi sempre uma boa pessoa, acolhia todos inclusive o próprio assassino".
De acordo com o Porta-voz da Direcção de Investigação de Ilícitos Penais Nacional (DIIP), Inspector-chefe Quintino Ferreira, foi um trabalho aturado do efectivo e, agora o processo a seguir, os dois infractores, serão entregues ao Ministério Público para o devido tratamento.
Quintino, aconselhou para que os cidadãos tenham cautela ao seleccionar as suas amizades para que não criem mais problemas semelhantes.










