No Paraíso- Marginal esquartejado e queimado-vivo pelo grupo rival
Um jovem que em vida respondia pelo nome Paulo Gomes, conhecido nas lides do crime por “Katrayo”, de aparentemente de 20 anos de idade, foi assassinado na madrugada de sexta-feira, 23, na vala entre o bairro Paraíso (zona dos Bacongos) e o bairro Augusto Ngangula, zona do Kalumana.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
Segundo moradores, a vítima pertence ao grupo "Tá Leguado", que controla quase toda a extensão do bairro Kalumana.
Este grupo, todos os dias travavam duras batalhas com o grupo os "Congos", pertencentes ao Paraíso.
Os confrontos são marcados quando um dos membros de cada grupo viola o território de outro, usam quase tudo nas batalhas, sendo que, catanas, paus, ferros e garrafas são as principais armas.
"A vala que separa os dois bairros marca o limite de acesso, os jovens do Paraíso não podem nem devem sonhar atravessar a vala, assim como os do Kalumana, caso alguém é visto a violar a zona, é apanhado e agredido de todas as formas brutais, até que conheça à morte", contaram.
De acordo com os entrevistados, muitos já perderam a vida.
Neste último caso, segundo apurou o Na Mira do Crime, Katrayo não respeitou às regras e, em companhia de seus amigos, identificados por “Lá Pras Quatro”, “Kúlu Wau” e um outro não identificado, na madrugada de sexta-feira, 23, violaram a área dos Congos (do Paraíso) e terão arrombado uma residência, na qual subtraíram um telemóvel de marca I-phone.
Durante a retirada do local, os marginais foram perseguidos, sendo que Katrayo foi apanhado e levado até à vala onde foi brutalmente assassinado.
“Lhe bateram muito e cortaram um dos membros superiores à catana, colocaram pneus nele e atearam fogo”, denunciou um morador.
"Quando ele se drogava fica descoordenado, nem andar em condições conseguia, deve ser esta a razão de não conseguir escapar durante a retirada”, e, por outra, os moradores dizem não entender a coragem que estes tiveram em entrar “na zona proibida” para efectuar o assalto.
Em honra e homenagem ao Katrayo, o grupo "Os Tá Leguado", realizaram na noite de segunda-feira, 26, uma cerimónia na rua da Escola Kalumana, onde juntaram pneus e atearam fogo; ao ritmo de canções de resistência, dançavam em rodas, sem roupas no corpo.
"Aquilo parecia ser um outro mundo, ficaram todos nus, tal como nasceram, gritavam e cantavam canções para despertar a atenção dos integrantes do grupo do outro lado da vala, na verdade eles pretendiam invadir o outro lado para retaliação, nunca tinha visto algo idêntico, por falta de policiamento eles tomaram o controlo da rua", explicaram.
Este jornal sabe que o marginal “Lá Prás Quatro”, do grupo “Tá Leguado”, tem várias passagens pela Polícia por práticas de roubos e assaltos, mas tão logo é detido é logo posto em liberdade.
Por exemplo, no mesmo dia em que o cadáver foi removido, “Kúlu Wau”, o suspeito de estar envolvido no assalto com a vítima, foi detido pela Polícia, tendo sido posto em liberdade poucas horas depois.
"Precisamos de uma esquadra aqui no Kalumana, e que a administração faça a destruição das obras abandonadas ao logo da vala porque contribuem bastante na actuação dos marginais, calculam-se nelas, e durante as lutas entre os grupos rivais lançam pedras nos tectos, levam qualquer bem que encontrar, destroem os portões das casas e batem quem for pego na rua, este é o bairro que temos", lamentaram










