Ex-ministro de Moçambique extraditado para os EUA por escândalo de 2,7 biliões de dólares
O antigo ministro das Finanças de Moçambique Manuel Chang foi entregue hoje de manhã a agentes policiais norte-americanos em Joanesburgo e extraditado em jacto particular para os Estados Unidos da América (EUA), por escândalo de 2,7 mil milhões de dólares
"O Ministério da Justiça pode confirmar que o senhor Manuel Chang foi entregue às agências da lei dos Estados Unidos da América, onde se espera que seja julgado por uma variedade de assuntos relacionados com fraude, entre outros", avançou à Lusa Chrispin Phiri, porta-voz do ministro da Justiça da África do Sul.
"O senhor Chang saiu do país esta manhã", adiantou.
A extradição de Manuel Chang para os Estados Unidos foi comunicada às partes pelas autoridades sul-africanas a 30 de Junho, segundo uma comunicação do Ministério Público de Joanesburgo ao qual a Lusa teve acesso.
Manuel Chang, de 63 anos, foi detido a 29 de Dezembro de 2018 no Aeroporto Internacional O. R. Tambo, em Joanesburgo, quando estava a caminho do Dubai, com base num mandado de captura internacional emitido pelos Estados Unidos a 27 de Dezembro, pelo seu presumível envolvimento no processo das chamadas dívidas ocultas.
O antigo governante esteve quatro anos e meio detido numa prisão na África do Sul pelo envolvimento no escândalo das dívidas ocultas do Estado moçambicano, calculadas em 2,7 mil milhões de dólares (2,5 mil milhões de euros).
Manuel Chang perdeu uma batalha contra a extradição dos EUA em maio, quase cinco anos depois de ter sido preso em Joanesburgo por acusações de fraude dos EUA relacionadas ao saque de centenas de milhões de dólares de empréstimos que ele aprovou para emissão em 2013.
Os empréstimos para projetos marítimos, que incluíam uma frota estatal de pesca de atum, devastaram a economia de Moçambique e levaram diretamente o país da África Austral ao incumprimento da sua dívida soberana, em meio a alegações de suborno, ocultação e desvio de cerca de USD 500 milhões.
As consequências levaram a uma multa de USD 475 milhões para o Credit Suisse, o banco que liderou o empréstimo, e a um litígio em andamento em Londres, no qual o Estado moçambicano tentou cancelar as dívidas, mas também se recusou a detalhar o que o presidente Filipe Nyusi sabia dos empréstimos como Ministro da Defesa na época.
A entrega de Chang aos EUA, que abre caminho para o mais importante julgamento estrangeiro da longa saga, pode constranger a Frelimo, partido do Presidente Nyusi, que tentou, sem sucesso, a sua extradição para Moçambique.
Por: Na Mira do Crime











