Um assassinato político? Morte de Chérubin Okende continua a chocar a RDC
Várias fontes oficiais congolesas confirmaram à comunicação social internacional a morte do ex-ministro dos Transportes, que também era um colaborador próximo de Moïse Katumbi, em 13 de Julho de 2023 às 10h54
Por: Na Mira do Crime
A República Democrática do Congo (RDC) continua em estado de choque após o assassinato de Chérubin Okende.
A descoberta do corpo do porta-voz do partido de Moïse Katumbi, morto a tiros no dia 13 de Julho, em Kinshasa, chocou toda a classe política congolesa, cinco meses antes das eleições presidenciais, o que agrava as tensões.
O falecido Chérubin Okende, ex-ministro dos Transportes e membro do “Ensemble pour la République”, o homem que preferiu Katumbi a Tshisekedi, na RDC, porta-voz do partido do opositor Moïse Katumbi, foi encontrado morto a 13 de julho em Kinshasa. Um assassinato cujas circunstâncias permanecem misteriosas.
Segundo fontes das autoridades da capital, o corpo de Okende foi encontrado dentro de uma viatura Lexus. Uma dessas fontes afirma que ele foi vítima de "bandidos armados".
O seu corpo crivado de balas estava no banco do motorista do carro. O também deputado estava vestido com uma camisa branca, coberta de sangue.
A Polícia Científica interveio no local do crime, antes de os restos mortais serem levados para a morgue.
O promotor público também foi apurar os factos, assim como a filha de Cherubin Okende que foi identificar o corpo do seu pai.
O ex-ministro permaneceu "desaparecido" desde o dia anterior, segundo os seus familiares. Ele era esperado a 13 de Julho perante o Tribunal Constitucional na sequência de uma intimação relativa à sua declaração de bens como ex-ministro.
Os eventos que antecederam a tragédia permanecem, por enquanto, incertos.
Segundo os seus parentes, Chérubin Okende foi a tribunal em 12 de Julho. Chegado ao local, teria despachado o seu guarda-costas, Nico Kabunda, para entregar uma carta solicitando o adiamento de vinte e quatro horas da intimação.
Foi apenas ao sair do prédio que seu guarda-costas percebeu que o deputado havia desaparecido.
De acordo com um alto funcionário do Tribunal Constitucional, numa outra versão, o ex-ministro foi contactado no início da semana por aquela jurisdição para obter informações adicionais sobre a sua declaração de bens.
Mas garante que no dia 12 de Julho foi um dos seus colaboradores que se dirigiu ao Tribunal para apresentar o seu pedido de adiamento da reunião para 14 de Julho.
“Chérubin Okende não chegou ao Tribunal”, garante o alto funcionário do Tribunal Constitucional.
No final de uma reunião realizada na passada quinta-feira, as autoridades congolesas anunciaram que já estava em curso uma investigação preliminar e que também vai ser constituída uma "comissão de inquérito alargada, com o envolvimento de todos os serviços, associando os serviços estrangeiros de países amigos para esclarecer" os acontecimentos.
Quem atirou em Chérubin Okende? Isso é um assassinato ou um assassinato hediondo? Quem são os potenciais patrocinadores?
Desde que o corpo sem vida de Chérubin Okende foi encontrado morto baleado, no seu carro em 13 de Julho, a RDC está em estado de choque.
Enquanto a investigação ainda demora a dar os primeiros resultados, o momento que se vive na RDC é de acusações, dúvidas e especulações.
Moïse Katumbi, candidato presidencial pelo partido “Ensemble pour la République”, do qual Chérubin Okende era o porta-voz, evocou imediatamente um "assassinato político".
Dentro da oposição e à margem da sociedade civil, muitos fazem a ligação entre o assassinato do deputado e o de Floribert Chebeya, um famoso activista de direitos humanos morto em Junho de 2010.
Enquanto isso, as autoridades apelam à moderação e ameaçam castigar quem pensa “poder tirar dividendos políticos deste drama que nos afecta a todos”.
Eles também prometeram uma investigação envolvendo "países amigos" da RDC.
Antecedentes que levantam dúvidas
Recorde-se que, entretanto, foi detido a 20 de Junho por homens armados numa rua de Kinshasa o opositor Franck Diongo, que foi libertado a 15 de Julho, após um mês de detenção nas instalações dos serviços de informações militares e na prisão militar de Ndolo.
A libertação do presidente do Movimento Progressista Lumumbista (MLP), candidato declarado à Presidência, ferrenho detractor do Presidente Félix Tshisekedi, e muito próximo de Moïse Katumbi, ocorreu dois dias após o assassinato do porta-voz do “Ensemble pour la République”, Chérubin Okende.
Em 2019, mal Kinshasa saiu da febre eleitoral, Chérubin Okende, perante o Tribunal Constitucional, na companhia de alguns deputados da oposição, amigo íntimo de Moïse Katumbi, contestou a anulação da sua eleição para deputado nacional pela cidade de Kinshasa após as eleições de Dezembro de 2018.
Porém, o seu esforço e perseverança teve sucesso porque, após vários dias de protesto, o Tribunal Constitucional acabou por confirmar a sua vitória, reconhecendo de passagem que cometeu um erro.











