Níger - CEDEAO dá uma semana aos golpistas para reinstalar Bazoum no poder
A CEDEAO emitiu um ultimato à junta no Níger, dando-lhe uma semana para devolver o poder a Mohamed Bazoum. Porém os militares golpistas acusam a organização regional e a França de estarem a preparar uma invasão militar no país
Por: Na Mira do Crime
A cimeira extraordinária da CEDEAO sobre a situação no Níger terminou em Abuja, a 30 de Julho, com um discurso de firmeza.
A organização regional dá à junta uma semana para devolver o poder a Mohamed Bazoum.
O chadiano Mahamat Idriss Déby Itno está em Niamey como emissário.
Os Chefes de Estado da CEDEAO analisaram a situação no Níger, em reunião que decorreu em Abuja, Nigéria, no domingo, 30 de Julho, que encerrou com um discurso de firmeza, concedendo à junta que liderou o golpe contra Mohamed Bazoum uma semana para restaurar a ordem constitucional.
A CEDEAO indica que “estão a ser consideradas todas as opções”, incluindo a intervenção militar, caso o Presidente do Níger não seja reintegrado no cargo após este prazo.
A organização regional também anunciou a introdução de sanções financeiras e ordenou a suspensão “imediata” de “todas as transações comerciais e financeiras” entre os seus Estados membros e o Níger, bem como o “congelamento dos bens dos militares envolvidos no golpe”.
A CEDEAO nomeou também o chadiano Mahamat Idriss Déby Itno, cujo país não faz parte da organização, mas que foi convidado para Abuja, como emissário da nova junta nigerina liderada pelo general Abdourahamane Tiani, o novo homem forte do país, que se declarou chefe de Estado na sexta-feira, 28 de Julho.
Em Niamey, o também presidente da transição chadiana encontrou-se com Salifou Mody, chefe do Estado-Maior do exército desde 2020. Entretanto, a junta golpista acusa a CEDEAO de preparar uma “intervenção militar iminente no Niger”.
Os militares que depuseram o Presidente Mohamed Bazoum denunciaram uma ameaça de “intervenção militar iminente em Niamey” fomentada, segundo eles, pela CEDEAO, enquanto a organização da África Ocidental estava reunida em Abuja.
“O objectivo desta reunião é a validação de um plano de agressão contra o Níger, através de uma iminente intervenção militar em Niamey em colaboração com países africanos não membros da organização e alguns países ocidentais, segundo um comunicado de imprensa lido por um membro da junta, Amadou Abdramane, em rede nacional.
“Mais uma vez, lembraremos a CEDEAO ou qualquer outro aventureiro de nossa firme determinação em defender nossa pátria”.
A CEDEAO, a que pertence o Níger, reuniu-se no domingo numa “cimeira especial”, em Abuja, para avaliar a situação, de que resultou a decisão de sanções.
Os golpistas já tinham alertado para “as consequências que advirão de qualquer intervenção militar estrangeira”, evocando “a atitude beligerante” de “antigos dignitários enclausurados em chancelarias em colaboração com estas”.
Enquanto isso, uma manifestação de apoio à junta decorreu na manhã de domingo em Niamey, que se mantém relativamente calma, apesar da proibição de ajuntamentos pelos golpistas.
Centenas de pessoas marcharam, agitando outra vez bandeiras russas, em direcção à Assembleia Nacional.
Na origem deste apelo à manifestação, está o movimento civil M62, que já tinha protestado contra a operação Barkhane do exército francês no Sahel e no Saara.
Igualmente, os golpistas acusam também a França de querer "intervir militarmente" no Niger.
Esta acusação da junta nigerina surge no dia seguinte a uma manifestação durante a qual milhares de apoiantes do golpe contra Mohamed Bazoum visaram a embaixada francesa em Niamey.
Os soldados nigerinos que derrubaram o Presidente eleito, Mohamed Bazoum, acusaram a França na segunda-feira, 31 de Julho, de querer "intervir militarmente" para restabelecer este último em suas funções.
“Na sua linha de conduta, indo no sentido de encontrar formas e meios para intervir militarmente no Níger, a França, com a cumplicidade de certos nigerinos, realizou uma reunião no quadro da Guarda Nacional do Níger, para obter apoio político e militar necessário”, refere o comunicado.
Noutra nota de imprensa, os golpistas acusam "os serviços de segurança" de uma "chanceleria ocidental", sem especificar qual, de terem disparado gás lacrimogéneo no domingo em Niamey contra manifestantes apoiantes da junta, tendo "resultado seis feridos atendidos em hospitais” na capital nigerina.
Essa acusação da junta ocorre quando a pressão internacional aumenta sobre os golpistas.
No domingo, a CEDEAO deu-lhes um ultimato de uma semana para um "retorno completo à ordem constitucional". Caso contrário, a organização regional não exclui o “uso da força”.
Uma decisão saudada pela França
O Presidente francês Emmanuel Macron ameaçou, no domingo, responder "imediatamente" a qualquer ataque a cidadãos franceses e seus interesses no Níger, num momento em que milhares de manifestantes pró-golpe atacaram a embaixada francesa em Niamey.
Alguns quiseram entrar, antes de serem dispersados por bombas de gás lacrimogêneos.
Recorde-se que Mohamed Bazoum está no quinto dia de reclusão na sua residência privada no palácio presidencial pela sua anterior guarda, cujo líder, o general Abdourahamane Tchiani, é hoje o presidente do Conselho Nacional para a Salvaguarda da Pátria (CNSP).











