Terceiro Subchefe da Polícia ‘executado’ com mais de 10 tiros no município de Belas
Mais um cidadão ou cidadãos terão se convencido que cometeram um crime perfeito, ao assassinarem um 3º Sub-chefe da Polícia Nacional. Mas acontece que o polícia assassinado, confrontado com um cenário que lhe tirava o sono, passou a registar todas as incongruências que se verificaram na detenção de alguns marginais que, ao passarem da sua custódia para a de alguns responsáveis, apareceram mortos, tendo ele sido obrigado a aceitar a autoria do crime.
Por: Cambimbe Osório
A carta deixada pelo malogrado pode ajudar a esclarecer o crime, conforme se segue. Trata-se de Martinho Domingos Tchombé, de 46 anos de idade, destacado na esquadra do Canhanga-Benfica, cujo irmão, Francisco Tchombé Paposseco, com base em informações recolhidas, já há alguns meses, presumia que estava a ser perseguido por supostos colegas.
Isto viria a ser confirmado numa espécie de diário deixado pelo malogrado e passado a limpo pelo filho.
Consta que no dia 03 de Fevereiro do ano corrente, ele, a partir do serviço, recebeu uma chamada solicitando que o pessoal em serviço devia ir ao bairro Para-peito, buscar alguns meliantes que estavam a perturbar a zona, mas que já se encontravam nas mãos dos efectivos da Unidade da Guarda Presidencial (UGP).
Quando o patrulheiro chegou ao local, Martinho procedeu como foi orientado.
Só que, alguns minutos depois, chegou o carro de oficias do Comando de Belas e o orientaram a entregar os meliantes.
Passado um mês, foi chamado à Polícia Judiciária (PJ) para prestar depoimentos sobre o caso, mas antes de ir para lá, Martinho Tchombé foi à sua unidade informar aos superiores sobre a convocatória.
Estes disseram que podia ir responder, mas, para o seu espanto, lhe foi informado que os meliantes que, na companhia dos seus colegas, haviam levado dia 03 de Fevereiro, morreram.
Mas o malogrado retorquiu dizendo que nada tinha a ver a com a morte deles, uma vez que os entregou vivos aos oficiais do Comando.
Fazendo fé no mesmo documento, no dia 17 de Abril do ano corrente, recebeu uma chamada do senhor Valdimiro Kiesse Monteiro Domingos "Rato Branco", chefe das operações e da esquadra do Canhanga, dizendo que foi preparado um carro para ir à sua busca para tirar imagens.
Acontece que o falecido já tinha tirado as imagens na secretaria da sua própria unidade, logo, em seu entender, não fazia sentido voltar a fazê-lo.
Passados alguns dias, o Serviço de Investigação Criminal (SIC) chamou Martinho Tchombé para depor, tendo sido feitas as questões necessárias e o malogrado respondeu de acordo com o que tinha vivido.
Mas antes, no dia 3 de Fevereiro do ano corrente, o operacional do SIC perguntou se o malogrado não havia dito mais nada para além do que já havia deposto na Polícia Judiciária, e ele respondeu que apenas falou o que aconteceu, na verdade.
Nesta ordem de ideia, o operacional do SIC informou que o mesmo podia ir à casa e que se a PJ ligasse ele não devia atender; e se chamassem por ele, que não fosse.
Dadas as ameaças graves, o malogrado partilhou tudo com os familiares e constituiu um advogado.
O assassinato
Segundo Nangolo, filho mais velho, que testemunhou a morte do pai, no dia 03 do mês corrente, quando eram aproximadamente 9 horas, ligou para o filho dizendo que tinha comprado um terreno, no Canhanga e pretendia mostra-lo.
Juntos, dirigiram-se até à Administração do Canhanga em duas motorizadas. O malogrado lembrou-se que tinha esquecido alguns meios na unidade e pediu ao filho para ir a busca-los.
Pelo caminho, Nangolo lembra que viu o carro dos assassinos passando por ele: era um Suzuki modelo Jimmy, de cor verde claro, e não viu a matrícula.
Posto na unidade, um colega do malogrado pediu ao filho que regressasse, pois o pai já tinha encontrado os meios. Regressou ao encontro do pai que o mostrou o terreno.
Enquanto conversavam, o carro em questão aproximou-se, e Nangolo tirou a sua motorizada do caminho para a viatura passar, sem saber que eram os algozes do pai, num abrir e fechar de olhos os assassinos desceram da viatura armados até "aos dentes", abriram fogo contra o malogrado.
O filho lembra-se que tentou correr e caiu, abrigando-se por detrás da sua motorizada.
Pôs-se a rezar pela vida até que os assassinos do seu pai se retiraram e puseram-se em fuga.
Já estendido no chão com mais de 10 tiros, crivados no corpo, e as ambas as motorizadas esburacadas com tiros, Martinho Tchombé ainda conseguiu mandar o filho avisar a unidade que ficava a cerca de 800 metros do local do crime.
Na corrida desenfreada na tentativa de salvar o pai, Nangolo encontrou-se com a patrulha que pegou o malogrado e levou-o ao Hospital Geral, onde sucumbiu.
Os familiares lembram que durante o trajecto para o hospital, havia uma viatura de marca Toyota, modelo V8 a seguir o patrulheiro.
A Família questiona por que razão o patrulheiro não foi atrás do Suzuki dos assassinos, ou, pelo menos, mandar parar o V8 que os seguiu até ao hospital?
"Porquê é que nenhum comandante foi ouvido, relativamente a esta situação, visto que foram citados na carta deixada pelo malogrado?", questionam os familiares inconsoláveis.
O malogrado deixa viúvas, 13 filhos o mais novo tem 4 meses e foi enterrado no último sábado as 15h, na Huila, município do Quipungo sua terra natal.
Polícia garante que crime está ser investigado e que estão identificados alguns suspeitos
Contactado pelo Na Mira do Crime, o Porta-voz da Polícia em Luanda, Superintendente Nestor Goubel, disse que o Comando Províncial, particularmente no município de Belas, tudo faz para esclarecer o crime que vitimou o colega.
“A Polícia Nacional já tem sinalizadores e suspeitos dos bandidos que praticaram o crime”, observou, sublinhando que o efectivo era um acérrimo combatente ao crime no território, e esta é, a princípio, “uma possível retaliação por parte dos marginais no território, uma vez que o nosso operacional era destacado”, disse.
De acordo com o oficial, Tchombé, durante a Operação Cacimbo realizado pelo CPL, apresentou elevados resultados de detenções de elementos em crimes violentos com recurso de armas de fogo.
“Em breve traremos a público estes marginais para responsabilização criminal”, prometeu.










