Actualização golpe de Estado no Gabão: Ali Bongo em prisão domiciliar
O Presidente Ali Bongo Ondimba, agora deposto por militares, está em prisão domiciliar, enquanto que o seu filho e membros do seu governo foram presos.
Por: Na Mira do Crime
Elementos do exército gabonês, unidos num “Comité para a Transição e Restauração das Instituições” (CTRI), anunciaram na noite entre 29 e 30 de Agosto, madrugada desta quarta-feira, que tomaram o poder no Gabão, quatro dias após as eleições realizadas naquele país.
O Centro Eleitoral do Gabão (CGE) tinha anunciado que Ali Bongo Ondimba tinha vencido as eleições presidenciais quando soldados fardados irromperam na televisão nacional Gabão 24.
Apresentando-se como membros das Forças de Defesa e de segurança, alegaram ter criado um Comité para a Transição e Restauração de Instituições (CTRI). Vários familiares de Ali Bongo Ondimba foram presos. Ele próprio, atendendo ao seu precário estado de saúde, está em prisão domiciliar.
Após o anúncio dos resultados das eleições presidenciais pelo Centro Eleitoral do Gabão (CGE), na noite de 29 para 30 de Agosto, várias testemunhas confirmaram ter ouvido tiros nas ruas de Libreville.
Segundo a contagem da CGE, Ali Bongo Ondimba teria vencido as eleições presidenciais, totalizando 64,27% dos votos.
O Chefe de Estado cessante ficaria à frente de Albert Ondo Ossa (30,77%), candidato indicado por grande parte da oposição.
Nos minutos que se seguiram ao anúncio dos resultados das eleições presidenciais que deram vitória a Ali Bongo Ondimba, os militares apreenderam a televisão pública do Gabão, que transmitiu, em loop, um curto discurso dos militares golpistas, apenas alguns minutos após o anúncio dos resultados das eleições presidenciais pelo Centro Eleitoral do Gabão (CGE).
“Em nome do povo gabonês, nós decidimos defender a paz, pondo fim ao regime em vigor”, disse um dos militares. “Para o efeito, são canceladas as eleições gerais de 26 de Agosto de 2023, bem como os resultados truncados. As fronteiras estão fechadas até novo aviso”.
Os soldados anunciaram o cancelamento das eleições, o encerramento das fronteiras e a dissolução das instituições no Gabão, após a proclamação dos resultados que conferiam vitória ao deposto Presidente Ali Bongo, com 64,27% dos votos.
“Todas as instituições da República estão dissolvidas, nomeadamente o Governo, o Senado, a Assembleia Nacional, o Tribunal Constitucional, o Conselho Económico, Social e Ambiental, o Conselho Eleitoral do Gabão”, acrescentaram os militares.
“Apelamos à população, às comunidades dos países irmãos estabelecidos no Gabão, bem como aos gaboneses da diáspora, à calma e à serenidade”.
“Reafirmamos o nosso empenho em respeitar os compromissos perante a comunidade nacional e internacional. Povo gabonês, é finalmente a nossa fuga para a felicidade. Que Deus e os fantasmas dos nossos antepassados abençoem o Gabão. Honra e fidelidade à Pátria, obrigado”, concluíram.
Os números anunciados pela CGE, que não chegaram a ser validados pelo Tribunal Constitucional, já foram contestados pela oposição e apoiantes de Albert Ondo Ossa.
Eles próprios publicaram os resultados, parciais e não oficiais, no dia 27 de Agosto, alegando que o seu candidato estava na primeira posição com cerca de 70% dos votos.
Apelaram então a Ali Bongo Ondimba e ao seu governo para que respeitassem a escolha das urnas e organizassem uma transferência de poder.











