Morrer nas mãos da polícia: Corpo de zungueiro morto a tiro por oficial da polícia continua na morgue há 9 dias, mulher diz-se abandalhada pelo Comando de Viana
Um jovem que em vida atendia pelo nome Silva Sebastião, de 36 anos de idade, natural da província do Zaire, morador do bairro Ângelo, município de Cacuaco, foi morto a tiro no pretérito dia 4 do mês em curso, no município de Viana, rua da Brasileira, por um inspector da Polícia Nacional, afecto a Esquadra da Boa Fé, quando perseguiam supostos marginais
Por: Kihunga Bessa
Madalena António Pascual, esposa da vítima, conta que vive com marido há 13 anos, e têm a venda ambulante como sustendo da família.
Em exclusivo ao Na Mira do Crime explicou que, na passada segunda-feira, 4, o marido saiu de casa para comprar negócio, no regresso, por volta das 14 horas, no município de Viana, nas imediações das “Mangueirinhas”, e quando já se encontrava no interior do táxi, foi atingido com uma bala no pescoço, disparada pelo Inspector da Polícia que perseguia bandidos.
“Quando os passageiros se aperceberam da situação, o motorista desceu da viatura e foi até onde estavam os agentes para explicar o sucedido”, preocupados, conta, os polícias levaram rapidamente a vítima até ao hospital do Capalanga, onde minutos depois acabou por morrer.
De acordo coma esposa, tomou conhecimento do infortúnio por volta das 16 horas, por intermédio de algumas conhecidas do bairro que reconheceram o malogrado.
A seguir, dirigiu-se até o referido hospital onde encontrou o esposo já morto.
De seguida, deslocou-se até o Comando Municipal de Viana, isto por volta das 19 horas, onde fez uma participação do caso.
Dia seguinte, terça-feira, 05, seguiu para a esquadra da Boa-Fé onde está colocado o homicida. Segundo conta, aí foram apenas voltas.
“Regressei novamente para o Comando Municipal de Viana onde fui atendido pelo chefe Mavacala, do piquete do SIC”. Segundo a viúva, foi graças a este camarada que tudo fez para que o corpo do marido fosse transferido para Morgue de Cacuaco, para facilitar o processo da família. No entanto, sublinha que, no mesmo dia o efectivo do SIC foi transferido para outro Comando e a família voltou a ser abandalhada.
"Na quarta-feira, 07, voltamos ao comando, enquanto aguardávamos pelo comandante, os agentes, a partir do piquete, minimizavam a situação e pediram me para ir me queixar onde quiser, porque não daria em nada", lamentou.
Por causa dos maus tratos, a família do malogrado decidiu regressar a esquadra da Boa- Fé para ver se, pelo menos alguém se responsabilizasse pelo óbito.
“Depois de falar com o comandante da esquadra, deu-me 50 mil para às primeiras necessidades, assim, pagamos algumas dívidas na morgue e táxi”.
De seguida, o comandante pediu a esposa que fizesse um orçamento para as despesas do óbito, no sábado, 09, depois de reunida alguma família, foi apresentada uma despesa no valor de 3 milhões e cento e setenta mil kwanzas.
De acordo com a viúva, este valor apresentado fez com que a mesma fosse humilhada, chamada de gatuna, oportunista entre outros nomes feios.
“O comandante Obama, da Esquadra da Boa-Fé, disse que eu podia ir me queixar onde quisesse, inclusive mandou-me ir ao Fala Angola”, chorou.
Neste momento, e quando já se passam 9 dias, o corpo continua na morgue, porque a esposa está sozinha, sem os familiares do malogrado que se encontram na província do Zaire, e sem o dia do enterro por falta de possibilidades financeira.
A jovem, pede encarecidamente a sociedade para que ajudem a enterrar o marido, já que o mesmo Inspector, segundo conta, depois de matar o seu marido diz que não vai assumir nada, e prefere ser castigado, porque está protegido.
O malogrado deixa quatro filhos, sendo que um está doente e a mãe não sabe o que fazer, se não chorar.
Para medicar a criança, pelo menos para minimizar a febre, a jovem disse que teve que pedir esmolas, girando o bairro todo.
Contactado pelo Na Mira, o Porta-voz da Polícia em Luanda, Nestor Goubel, explicou que os agentes envolvidos no caso estão detidos no Comando Municipal, enquanto seguem diligências para apurar o sucedido.










