Operação Apito: Comissário Ribeiro orienta extinção imediata dos brigadistas do Sambizanga
O Comando Provincial de Luanda desmentiu na tarde desta quinta-feira, 7, as alegações vinda dos elementos da "Turma do Apito", que afirmam que desde o desmantelamento das famosas Cânforas, originou a subida considerável da criminalidade nas ruas do distrito do Sambizanga, município de Luanda.
Por: Cambundo Caholua
Durante um tete-a-tete com as forças policiais em parada, no campo Mário Santiago, o 2° Comandante Provincial da Polícia em Luanda, Comissário António Ribeiro, sinalizou aos efectivos da Polícia o quanto a "Turma do Apito" representava um perigo à segurança pública, e orientou aos efectivos que agissem de acordo as normas, para que não sejam surpreendidos.
Por sua vez, o Porta-voz do Comando Provincial da Polícia em Luanda, Superintendente Nestor Goubel, afirmou que não é possível que em menos de 24 horas, tão logo às forças da polícia desactivaram os sectores que compõem as brigadas, nomeadamente, Madeira, Mota, Lixeira e Santa Rosa, já há reclamações de índices altos de criminalidade, na via pública e em residências.
“A polícia vai levar a cabo uma operação denominada "Apito", que será realizada a partir deste dia 7 de Dezembro do ano em curso, até 22 de Janeiro do próximo ano, que terá como o foco principal o desmantelamento da Turma do Apito na sua totalidade”, avisou o oficial.
O Na Mira do Crime em cima dos acontecimentos, circulamos Sambizanga adentro para ouvir os munícipes, sobre o desmantelamento deste grupo.
As opiniões divergem, para alguns, a iniciativa é boa, dada a violência exercida pelos jovens, para outros, essa iniciativa vai fragilizar a segurança do bairro, uma vez que a turma ajudava a repelir possíveis assaltos.
“O bairro já tinha paz, com essa decisão da polícia não sei como será a vida aqui no nosso bairro", disse uma moradora.
Uma anciã de 70 anos de idade, moradora do Sambizanga há mais de 36 anos, e que não quis ser identificada, disse que às vezes os brigadistas exageram nas suas acções, fazendo justiça por mãos próprias, e às vezes em pessoas inocentes.
Uma outra moradora de 28 anos de idade, que não também não quis ser identificada, disse que os assaltos ocorridos nas noites depois da desativação das brigadas, está supostamente ligadas aos próprios elementos da "Turma do Apito".
"Eu acho que quem está a fazer assaltos são mesmo eles para passar a mensagem que sem a Turma do Apito os bairros vão ficar sem segurança", acusou.
Luís António Costa, de 76 anos de idade, diz ser um erro a decisão da polícia.
"A polícia está a cometer um erro grande, eles deviam conversar com os elementos da brigada e chegarem a um acordo", aconselhou.
André Augusto, falou ao Na Mira do Crime em nome da "Turma do Apito", e alegou que a missão do grupo que representa era apenas manter a segurança das populações, e negou acusações segundo as quais mantinham em cárcere privado marginais que eram apanhados a roubar.
Este grupo de “justiceiros” foi criado em 2019, pelo político do MPLA, Tomás Bica Mombundo, enquanto administrador do Sambizanga e primeiro secretário do partido dos “camaradas”, com a finalidade de devolver o sentimento de tranquilidade às populações.
No entanto, a actividade do grupo não tardou e ascendeu para uma espécie de milícia, uma vez que, até polícias eram maltratados por estes jovens. Várias denúncias de maus-tratos perpetrados por parte deste grupo foram denunciados pelo Na Mira do Crime, que várias vezes chamou a atenção da perigosidade destes jovens, que, em certa altura, usavam arma de fogo, e tinham inclusive uma espécie de tribunal de rua, chegando até a executar pacatos cidadãos, sob olhar impávido das autoridades.









