LianFang: SIC desmantela rede de chineses que praticavam mineração de criptomoeda num estaleiro em Catete
O Serviço de Investigação Criminal (SIC) desmantelou, recentemente, uma rede de malfeitores composta por três chineses que praticavam mineração de criptomoeda num estaleiro no Distrito Urbano de Catete, município de Icolo & Bengo.
Por: Kamukula Kanuma Manuel
Os implicados deverão responder ainda pelos crimes de branqueamento de capital, furto de energia eléctrica, dentre outros.
Manuel Halawia, Superintende-chefe e Porta-voz do Serviço de Investigação Criminal (SIC) da Direcção Central, disse, em conferência de Imprensa, que através de denúncia pública e do mandado de revista, busca e apreensão exigido pelo Ministério Público, procedeu-se à detenção de três indivíduos de nacionalidade chinesa dentre eles dois engenheiros Informáticos e um tradutor, bem como a apreensão de todo seu equipamento.
De acordo com o especialista, existem fortes indícios de cometimento de vários crimes dentre branqueamento de capital, fuga ao fisco, actividade económica ilícita e furto de energia eléctrica.
Constatou ainda que o estaleiro exercia inicialmente uma actividade económica autorizada que é administração de serviços na área de montagem de torres de alta tensão e montagem de subestações eléctricas.
Entretanto, aproveitando-se das reais funções mencionadas, os chineses em causa instalaram um ponto de mineração de criptomoeda, três postos de transformação eléctrica (Pt´s) tendo um consumo superior das actividades que realizavam anteriormente.
O Porta-voz assegurou que cada Pt tinha capacidade para fornecer energia eléctrica a três bairros com quatro mil habitantes cada.
"Detectou-se vários processadores que consomem muita energia eléctrica, foram montados pontos de refrigeração que apresentam grandes riscos de deflagrar incêndio de grandes proporções”, disse.
Segundo o oficial, os chineses criaram estas condições de forma encoberta, para que, quem entra não tenha a apreciação das actividades camufladas no meio das actividades económicas que, inicialmente, estavam autorizadas a ser realizadas.
O SIC, na senda das suas operações, detectou mais dois outros sítios na baixa de Luanda, onde praticavam as mesmas operações de mineração de criptomoeda com consumos elevados de energia eléctrica que na realidade não é paga.
ENDE pode ser chamada
O dirigente do SIC aventou a possibilidade de contactar a Empresa Nacional de Distribuição de Energia (ENDE) para aferir, em conjunto, os actos verificados.
Importa referir que os vietnamitas e, sobretudo, os chineses têm estado a proliferar este tipo de actividade a nível de Angola, principalmente de Luanda.
Contam-se seis nos municípios de Viana (Luanda-Sul), de Belas, de Cacuaco (Kikolo e Sequele) e, agora, no Icolo e Bengo.
"Desmantelamos ainda nas províncias do Cuanza Norte e Sul", sustentou, salientando que o vai continuar no encalço dos proprietários ou gestores máximos destes postos de mineração de criptomoeda, temos informações de alguns encontrarem-se fora do território nacional, e, enquanto isso, aqueles que representam a empresa aqui vão naturalmente prestar declarações em função do que foi encontrado, asseverou Manuel Halawia.
Mineração de Criptomoeda Mineração de criptomoeda, consiste na validação de transações em uma rede descentralizada, como a do Bitcoin.
Para a sua realização requer-se um computador com capacidade de processamento e uma grande quantidade de energia, pelo facto da acção exigir uma grande quantidade de cálculos complexos que consomem muito.
A actividade requer custos elevados de energia, para que seja lucrativa, é necessário ter uma fonte barata e eficiente.
Este processo também pode ter impacto negativo para o meio ambiente, em Angola, onde a lei que regula a actividade ainda não vigora.









