Outra vez a Promil - Milhões de Kwanzas jogados ao lixo na construção de uma escola com orçamento do PIIM
Os moradores do bairro Garcia denunciam a paralisação das obras de reabilitação da Escola do Ensino Primário n°4052, localizada naquele bairro. Os pais e encarregados de educação avançaram a este jornal que estão descontentes com a demora na conclusão da obra, enquanto os seus educandos passam por dificuldades nos locais onde foram encaminhados para dar continuidade aos estudos.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
Uma escola com 12 salas de aula, cuja obra de requalificação está a cargo da empresa Promil Construções Civil, Comércio e Indústria Lda, orçada em 361. 693. 991. 10 de Kwanzas, depois de um tempo já excessivo, ainda não tem conclusão prevista.
A senhora Maria, moradora da zona do Kifangondo, contou que o arranque teve início em Março do ano 2022, para uma duração prevista de sete meses.
"Esta escola parece que nunca vai ter acabamento, já se passaram quase dois anos lectivos que as crianças foram levadas para outra escola, mas neste momento a obra parou e nem está concluída, abandonaram a obra, nem um novo quintal conseguiram erguer", contou.
Os encarregados de educação pedem a intervenção urgente das autoridades governamentais no sentido de garantirem a continuidade da obra.
Tal como disse a dona Dulce, moradora da zona, "os alunos foram divididos, uns foram para à escola da Judéia, ao lado do Marco histórico de Cacuaco, e outros, infelizmente, foram levados para uma igreja feita de chapas, os nossos governantes brincam muito com as pessoas", lamentou.
Segundo uma fonte ligada à instituição, são cerca de setecentos e vinte alunos que foram transferidos e que têm enfrentado difíceis situações para dar continuidade aos estudos.
Esperança, que tem um dos seus irmãos a frequentar a sexta classe na Congregação Novo Concerto, local onde foram levados alguns dos alunos, refere que "a igreja é feita de chapas e aquece muito, quando chove fica impossível os alunos terem aulas, por exemplo no dia 13 e 14, na semana passada, os alunos tiveram que ir fazer as provas na Judéia devido a água no recinto; os nossos irmãos estão a passar por situações difíceis", reclama.
Os cidadãos dizem estar agastados com a situação, uma vez que somam já dois anos lectivos em que os seus filhos têm que percorrer longas distâncias para não ficarem em casa.
"Os guardas dizem que a qualquer momento também irão abandonar a guarnição das obras por falta de salário equivalente a dois meses; os bandidos só estão a espera desse momento para festejar", alertaram.
Um outro reparo vindo da parte dos moradores, foca-se no valor estipulado para a obra, cerca de 400 milhões de kwanzas.
Pelo que tudo indica o valor é o mesmo estimado para a reabilitação da escola número 4088, na Vila dos Anjos, também com obra abandonada.
"Sempre nos perguntamos quais são as razões do custo desta obra ser o mesmo que o da escola dos Anjos, as estruturas são completamente diferentes", cogitam os moradores com desconfiança.








