Abuso de poder no Zaire: Coronel das FAA na reserva bloquea via pública com um contentor e dificulta a vida dos cidadãos
Um oficial na reserva das Forças Armadas Angolana (FAA), identificado por Paulo Gomez, proprietário do mercado apelidado peloseu nome, "mercado do Paulo Gomez", está a ser acusado no bairro Kungo-yenguele, no município do Soyo, província do Zaire, de apropriar-se e, ao mesmo tempo, ter bloqueado com um contentor a rua em que está instalado o seu negócio, no intuito de impedir a passagem de viaturas e demais transeuntes.
Por: Cambundo Caholua
De acordo com uma denúncia a que este jornal teve acesso, tudo começou quando o referido oficial na reserva, em 2021, apoderou-se do mercado situado no interior do bairro Kungo-yenguele, onde o mesmo usa e abusa do poder sendo temido por todos, inclusive pelo administrador municipal do Soyo, que não consegue impedir os seus desmandos.
Paulo Gomez, usando do poder intimidatório naquele bairro, a princípio havia construido um muro no mesmo local, mas não teve êxito pelo facto de a população, já em desespero, ter-se unido e derrubado a estrutura.
O indivíduo encarou aquilo como uma afronta e, em vez de continuar a bloquear a rua com betão, resolveu o assunto da forma mais fácil, colocando um contentor para atingir o seu objectivo.
Os moradores alegam, conforme a denúncia, que o coronel usa o pretexto de que encerrou a passagem devidoa o seu mercado, que estava a ser prejudicado pela intensa circulação de viaturas no local.
O bloqueio da via pública está a causar transtornos aos moradores dos bairros da Fapa, do Comité do MPLA, da Igreja Josafat e por fim o acesso ao cemitério do Kikudo. Todos tinham naquela via, que também é chamada "rua do mercado do Paulo Gomez", a solução para chegar ao mesmo mercado, assim como para se deslocar a outros destinos.
Depois do encerramento forçado da rua, os condutores de viaturas e outros meios rolantes, para chegarem aos seus destinos têm que dar voltas por outras zonas, situação que está a dificultar a vida de muitos cidadãos.
Quanto aos moradores, sobretudo dos bairros já mencionados, têm encontrado diariamente vários obstáculos, tudo porque a alternativa para chegarem às suas casas é passar por becos onde os marginais gostam de actuar e são sempre assaltados, agredidos e as mulheres têm passado por violações.
Por exemplo, em Junho deste ano, duas menores foram violadas pelos marginais, nos referidos becos que estão a servir como alternativa para as pessoas circularem. No ano passado um jovem foi esfaqueado até a morte.
"Pedimos ajuda, há muito tempo que estamos com esta situação, já nos dirigimos à Administraçao e lá não nos dizem nada; estamos a sofrer, é muita volta que temos de dar para não passar pelos becos onde existem bandidos”, clamam os moradores do bairro Kungo-yenguele.








