Em Cacuaco - Processo de meliantes que assaltaram uma residência no bairro Paco desaparece do Tribunal
Um cidadão que atende pelo nome Bernardo Lourenço Adão, ex morador do bairro Paco, rua do Colégio Henriques, município de Cacuaco, abandonou a sua residência após ter sido alvo de assalto por um grupo de marginais fortemente armados, que invadiram a sua casa. Dias depois, três dos envolvidos no assalto foram detidos pela polícia nacional e encaminhados à cadeia. A maior preocupação da vítima reside no facto de os indivíduos já se encontrarem em liberdade sem o cumprimento das formalidades, expondo a vítima ao perigo, por serem indivíduos considerados altamente perigosos. Mais do que isso, o processo, ao que se diz, desapareceu do tribunal, o que deixa os lesados apoquentados.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
Segundo a vítima, o assalto ocorreu na madrugada de terça-feira, 18 de Abril de 2023. Os marginais, munidos de armas de fogo, arrombaram a porta da casa e introduziram-se no seu interior, com ameaças de morte e disparos de arma de fogo, exigiram a entrega de dinheiro, supostamente dum cofre escondido naquela casa. "Eles disseram que caso eu não desse o dinheiro do cofre, eu teria que morrer, mas eu não tinha nenhum dinheiro guardado no cofre, disseram ainda que alguém os havia dado a pista", disse, acrescentando que fizeram muitos tiros, dois dos quais atingiram o seu braço e o pé. Salienta que mesmo ferido continuaram a torturá-lo na companhia da esposa. "Os filhos não foram tocados porque estavam escondidos por baixo da cama", contou.
Naquele dia, disse a vítima, não havia clareza, em todo o bairro, por falta de energia eléctrica, pois estava a chover, os marginais usavam as lanternas de telefones para iluminar a casa. "Disse a eles que tinha uma obra de construção ao lado, onde guardo a viatura, nela estava o carro com alguns pertences meus; fomos para a obra, eu já não me aguentava mais por causa dos ferimentos. Ao meu lado estava a minha esposa com a bebé de 1 ano de idade, debaixo da chuva", contou.
À caminho para a obra, a vítima consegui identificar o senhor Damião Kapitango Paulo, seu vizinho, posicionado no outro lado da rua. " A rua estava muito escura, graças à um relâmpago que em segundos iluminou tudo e consegui ver o meu vizinho ao fundo da rua, no momento achei que também estivesse a ser vítima de assalto", disse.
Já na obra, bandidos continuaram a torturar o cidadão e a esposa ao ponto de maltratarem também a bebé. "Parece que eram dois grupos unidos, eram muitos, enquanto os outros me torturavam, outros estavam na minha casa a retirar as coisas de valor, fiquei sem forças e cai", lembrou.
Os meliantes achando que a vítima estava morta retiraram do carro os cartões multicaixa da vítima e outros pertences. "O TPA que eles usaram para transferir o dinheiro dos cartões que levaram, é do Banco Sol, e nome do proprietário foi identificado por Souleymane Tirera; do meu cartão do banco BAI fizeram dois movimentos um no valor de 40.000,00 kz, outro no valor de 5.500,00 kz; no cartão do Banco Económico fizeram um único movimento no valor de 8.000,00 kz, na mochila que estava no carro tinha um valor aproximadamente a 80.000,00 kz, que foi levado com o computador e uma pasta contendo documentos pessoais e da empresa a qual trabalha", enumerou.
A esposa, ainda traumatizada, disse à nossa reportagem que, além dos pertences do marido e artigos de valor, também lhe foi retirado o seu cartão multicaixa, de onde retiraram todo o dinheiro da sua conta bancária, mas não avançou a quantia. "Levaram quase tudo de casa, o meu cartão de crédito também foi levado, prefiro não me lembrar daquele momento infernal que passei com a minha família, graças à Deus, nada de mal aconteceu com os meus filhos", agradeceu.
O senhor Bernardo Lourenço foi socorrido para o Hospital Municipal do Cacuaco, onde ficou a saber de que alguns vizinhos também se encontravam receber assistência médica por ferimentos à bala, vítimas de assaltos no mesmo dia. Ao amanhecer, o senhor Bernardo foi transferido a clínica da Endiama, tendo recebido alta no mesmo dia. "Apos a alta do hospital, fui para casa dos familiares da esposa, mais tarde decidi ir à minha casa buscar o que havia restado do assalto, já não queria viver no bairro Paco, me deparei com o vizinho que estava do lado da rua durante o assalto; fingiu não saber de que eu havia sofrido o assalto, perguntou o que me havia acontecido, eu expliquei, mas perguntou ainda se os bandidos não pediram dinheiro guardado no cofre, então, não tive a mínima dúvida de que foi ele quem planejou tudo, mas nada fiz", disse.
O nosso entrevistado disse ter comunicado a polícia do destacamento do 22 de Janeiro, em Cacuaco, sobre o possível envolvimento do vizinho no assalto. "Mudei-me de casa, no dia seguinte, de surpresa, recebi a informação de que o vizinho havia arrumado tudo de casa e fugiu com a esposa", lembrou.
Duas semanas depois, o foragido apareceu no bairro, pois, pretendia colocar a sua casa em arrendamento.








