“Advogado Pablo”: Traficante angolano repatriado de Moçambique diz ser do SINSE
Um cidadão angolano procurado em Angola por ter fugido da cadeia onde cumpria uma pena de 10 anos, pelo crime de tráfico internacional de estupefacientes, foi expulso de Moçambique.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) de Moçambique avança, em comunicado, que Higino Duarte Regal, também conhecido por Carlos Eduardo Monteiro, era alvo de um mandato internacional emitido pelas autoridades angolanas e foi detido em 21 de Dezembro de 2023, em Maputo, depois de ter fugido de um hospital (Girassol) em Angola, para onde se dirigira, “alegadamente, para efeitos de cuidados médicos”.
Na altura da fuga, cumpria uma pena de 10 anos por tráfico de droga, após uma condenação em 2017.
Em Moçambique, contra Regal, “foi desencadeado um processo de expulsão administrativa por se ter constatado infracções migratórias referentes à entrada e permanência irregular no país”, o que resultou na expulsão, refere a nota.
O visado é também alvo de dois processos-crime por indícios de crimes de falsificação e uso de documentos falsos, instaurados pelo Gabinete Central de Combate à Criminalidade Organizada e Transnacional (GCCCOT) de Moçambique.
“A instrução preparatória de processos-crime em curso em Moçambique continuará em diligências, podendo, sempre que se mostrar necessário, recorrer-se a instrumentos de cooperação jurídica e judiciária internacional em matéria penal”, diz a nota.
Traficante repatriado de Maputo alega ser do SINSE
Higino Duarte Regal, também conhecido como Carlos Eduardo Monteiro, o barão angolano repatriado de Moçambique neste final de semana em uma aeronave da presidência angolana, ostenta em seu perfil do LinkedIn um passado profissional nebuloso. Ele se apresenta como consultor sénior do governo de Angola (entre 2015 e 2016) e membro do Serviço de Informação e Segurança de Estado (SINSE) entre 2004 e 2016.
Formado em direito, Higino Duarte Regal, também conhecido como "advogado Pablo", foi condenado a 10 anos de prisão por crimes de furto, tráfico de drogas, falsificação de documentos e abuso de confiança.
Em 2017, foi detido no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro com 1,4 quilos de cocaína, escondida em uma mala oriunda do Brasil. Posteriormente, devido à gravidade de sua doença, foi transferido para o Hospital Prisional de São Paulo.
Em Setembro de 2019, fugiu durante o I Congresso de Oftalmologia, quando estava sendo conduzido para exames clínicos na Clínica Girassol, onde estava sob custódia prisional.
Regal fazia parte de um grupo criminoso que traficava cocaína entre o Brasil, Angola e Nigéria, em um esquema meticulosamente planejado.
Além disso, desde Novembro de 2003, dirigia a empresa de advocacia "Regal e Associados", que actuava na área jurídica e de consultoria geral, oferecendo serviços diversos.
Apresentando-se como detentor de um doutorado em Finanças pela Universidade de Lodz, na Polônia, nos finais da década de oitenta, a firma de advocacia de Higino Regal é descrita pelo mesmo como "uma empresa de consultoria e lobby, com vasta experiência no mercado angolano", facilitando "o acesso ao Governo Central de Angola para negócios".
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