Cazenga: Pacientes com tuberculose denunciam venda de medicamentos no Centro de Saúde do Cariango
Enfermeiros do Centro de Saúde do Cariango, vulgo Jota, no distrito do Tala Hady, município do Cazenga, são acusados, sobretudo por doentes com tuberculose, de vender os medicamentos a preços que variam de 2000 a 2500 Kwanzas.
Por: Cambundo Caholua
Pacientes que fazem tratamento no Centro de Saúde do Cariango, ao Cazenga, estão bastante agastados com os enfermeiros.
Segundo denúncias a que este jornal teve acesso, para além das vendas de medicamentos que têm sido efectuados naquela unidade hospitalar pública, bem ao lado da instituição está situado um Cyber Café, local onde também são comercializados os cartões de controlo para doentes com tuberculose, ao preço de 400 Kwanzas.
O Na Mira do Crime deslocou-se nesta segunda-feira, 1 de Abril, ao Centro de Saúde do Cariango, onde ouviu vários pacientes que padecem de tuberculose que, muitos deles, aproveitaram para desabafar e reforçar o quanto os enfermeiros daquela instituição pública praticam ilegalidades ao vender, tanto os cartões como os medicamentos, o que faz com que muitos doentes desistam do tratamento por causa de dificuldades financeiras.
Joana Cassinda, que é paciente e já faz o tratamento há três meses, disse que o pretexto usado no Centro é o de que existe escassez de fármacos em todo território nacional.
"Dizem-nos sempre que o país não tem medicamento, por isso são obrigados a vender e nós, para não perdermos o tratamento, compramos", frisou.
Dona Serafina que tem por hábito comprar o medicamento para o seu filho que também padece da mesma patologia, disse que os medicamentos são comercializados a um preço muito alto.
"Assim é difícil, está muito caro, cada lâmina de comprimidos compramos a 2500 Kwanzas, se tiveres sorte pode aparecer uma enfermeira a vender a 2 mil kwanzas", lamentou.
Indignada, outra cidadã conta que "já vi pessoas a desistir porque não tinham dinheiro, muitos choraram, mas não se pode fazer nada por falta de valores", repudia Sónia.
O que chamou atenção à equipa de reportagem deste jornal foi a forma escandalosa como alguns jovens, vulgo "micheiros", interpelam os pacientes logo à entrada do Centro, a fim de conseguirem algum cliente para comprar os tais medicamentos que estão em sua posse.
Os pacientes apelam à intervenção do Ministério da Saúde, já que são fármacos cuja venda é proibida, ainda mais numa instituição pública, que tem uma demanda considerável de pessoas desfavorecidas que padecem dessa doença.
O Na Mira do Crime foi ao Centro de Saúde do Cariango, a fim de ouvir a versão da direcção daquela instituição hospitalar sobre as acusações, no entanto, a directora clínica, doutora Cláudia, responsável da área de Tuberculose, não aceitou falar, alegando que não está autorizada.
Mesmo assim, a referida médica adiantou que essas práticas não têm ocorrido no centro e, se há casos de vendas, não têm a ver com os funcionários, mas sim, talvez, a responsabilidade é dos ditos "micheiros" que ficam fora da instituição, sublinhando que “a direcção estará alerta e o enfermeiro que for flagrado será responsabilizado exemplarmente”.








