Onda de assassinatos preocupa munícipes de Luanda
Ver um cadáver em Luanda está mais fácil, nos últimos tempos, não por causa das doenças, mas por causa da criminalidade a que todos estão expostos. Aqueles que sobrevivem aos assaltos e aos roubos, cada um, tem a sua história para contar, com a polícia a não fazer parte das personagens da acção.
Por :Cambuta Vieira
Eva António Kivota, de 32 anos de idade, exercia a profissão de doméstica, e Mizé João Pinto dos Santos, de 23 anos de idade, ambas residentes na rua da Pracinha, bairro Cassequel do Imbondeiro, Distrito Urbano da Maianga, município de Luanda, foram assassinadas em momentos distintos por elementos desconhecidos.
No dia 27 de Marco, depois de sair do serviço, Eva despediu-se dos familiares dizendo que iria passear com as amigas, que eram conhecidas em casa.
A mãe dormiu na esperança de que a filha voltaria na manhã do dia seguinte, mas debalde. Acontece que Eva foi encontrada morta a poucos metros de casa, segundo a mãe, Domingas Nzage.
"Na manhã do dia seguinte, os vizinhos vieram bater-me a porta dizendo que a Eva está estendida no beco, mas sem vida e que estava sem roupa, eu, preocupada, fui até ao local onde se encontrava o corpo da minha filha", narrou aos prantos.
De acordo com a mãe da malograda, o assassinato foi perpectrado noutro local e vieram apenas depositar o corpo junto de casa, e presume que os autores sejam pessoas conhecidas.
"A minha filha foi violada, partiram-lhe as ancas e torceram-lhe o pescoço", refere.
De acordo com João Pinto dos Santos, pai da malograda, "era de costume ela ficar uma ou mais noites fora de casa, mas, ainda assim, ela mantinha-nos informado; pelo que ficamos espantados ao acordar depararmo-nos com o corpo dela atrás de nossa casa".
O que mais inquieta a família é o facto do namorado identificado por Lachucho, que já era conhecido em casa, no momento do óbito, ficou bastante indiferente, mesmo sabendo que estava prestes a apresentar-se como noivo.
No passado já havia essa onda de assassinatos, e a polícia local passou a fazer o patrulhamento.
Os homicidas haviam parado, mas desde que a polícia parou de patrulhar no bairro, eis que a criminalidade voltou.
Eva António Kivota e Mizé João Pinto dos Santos ambas foram estranguladas quase com o mesmo modus operandi: violadas, estranguladas e depois colocadas no beco, próximo das suas residências.
A equipa deste jornal sabe que, em menos de um mês, foram mortas quatro mulheres na mesma zona.
"Luanda está muito perigosa, nos últimos anos, havendo necessidade de se reforçar cada vez mais as medidas de segurança", recomendou o pai de Mizé.








