Luta de gangues em Viana atormenta cidadãos que comem no aterro sanitário dos Munlevos
O lixo é, para muitos, a fonte de sobrevivência de famílias em Luanda. No município de Viana, mais precisamente no bairro Ana Paula, as pessoas recorrem à fonte. Ou melhor, recolhem tudo que aparecer no aterro sanitário para "enganarem os estômagos", ou, no final das contas, sobrar algo para vender logo à entrada do aterro.
Por: Solange Figueira
A cidadã Chulipa, representante da "Comunidade Aberta Construindo o Amanhã", um projecto para o qual tem trabalhado há 4 anos, contribuindo para o desenvolvimento integral do bairro Ana Paula, revela que 66 por cento da população vive da recolha de resíduos sólidos tirados do lixo do aterro Sanitário dos Munlevos.
Logo nas primeiras horas do dia, vêem-se grupos de pessoas a invadirem o aterro e ninguém faz nada. Aliás, é nos acessos ao aterro sanitário onde se protagonizam cenários de agressões entre gangues rivais, deixando transparecer verdadeiras cenas de terror.
"Eles munem-se com todos os objectivos contundentes, o que deixa os moradores permanentemente aflitos", disse Rosa, outra moradora.
Disse ainda que todos os dias tem havido lutas entre gangues, principalmente entre "Os Bandeira Preta" e "Os 26", que lutam a qualquer hora do dia.
Dona Joana apela as identidades superiores para que olhem "com os olhos de ver" para o bairro, construindo escolas e centros profissionais coisas que agregam valores à sociedade.
"Os nossos filhos estão a perder aulas todos os dias, porque se envolvem em lutas”.
Victor Manuel refere que apesar das lutas de marginais, há também jovens aqui que trabalham no aterro sanitário; esperam os carros passar, sobem para pegar as comidas, sendo que muitas pessoas já caíram e morreram por fazerem este trabalho.
"Não temos emprego, por isso escolhemos este meio de sobrevivência para sustentarmos as nossas famílias", disse, salientando que, muitas vezes, passam a noite aí a espera dos camiões.
Jacira, de 12 anos de idade, disse que trabalha no aterro sanitário, recolhendo plásticos para pesar e é de lá que, todos os dias, tira alimentos para levar para casa e sustentar a mãe que está doente.
"Já fizemos participação à polícia, várias vezes, mas nada faz para acabar com as lutas de gangues", lamentou.








