Revelações de militares na reserva - Transição das FAA para polícia custa 200 mil Kwanzas
Na manhã desta sexta feira, 31, 70 ex-militares Licenciados à reserva, afluíam ao centro de selecção e classificação do pessoal, sito no Regimento da Polícia Militar (PM), adjacente ao Grafanil, para reivindicar transparência no processo selectivo para o seu enquadramento na Polícia Nacional.
Por: Kihunga Bessa e Cambundo Caholua
De acordo com aqueles ex-militares, em Outubro de 2023, lhes foram entregues as guias de licenciamento à reserva para a transição das FAA para a Polícia Nacional, mas o certo é que estes sentem-se injustiçados devido ao processo de selecção. Contam que um dos requisitos estabelece que quem tiver uma altura média abaixo de 1 metro e 40 centímetros ou péssima caligrafia não pode transitar.
Um dos reservista, cujo o nome não nos foi revelado, conta que as irregularidades começam mesmo nas chamadas. Muitos nomes não constaram das listas.
Na fase de inspecção, são divididos em grupos de 200 efectivos cada, onde tudo é feito para transitarem só 70, "por isso é que inventam todos os truques possíveis para fazerem reprovar o maior número de efectivos.
"O que nos surpreende é o facto de esses para transitar para polícia, serem submetidos a estes testes, enquanto no momento do ingresso para as FAA não importou a altura nem a caligrafia", comparou.
Quem também falou para à nossa reportagem é Bernardo Pedro, outro descontente, que revela que além dos problemas já mencionados, estão outras situações como corte do salário que já não cai nas contas há três meses, actos de corrupção e nepotismo no sistema de selecção.
"Eles estão a criar dificuldades no sistema para reprovar a maioria com o intuito de colocar os seus familiares, amigos e aqueles que pagarem no lugar daqueles que reprovaram", denuncia.
O processo é devidamente conhecido por todos e passou a ser um negócio rentável. Quem pagar 200 mil Kwanzas entra na polícia sem rodeios.
Acrescentou que, nesta altura, já existe no Capolo um grupo de civis que poderá viajar ainda já no dia 5 de Junho para o campo de treinos, só porque pagaram o valor referenciado.
"Cumprimos o serviços militar obrigatório, que é de lei, mas agora para entrarmos na polícia, também em obediência ao que está estabelecido na lei, há esquema", desabafou.
O NA MIRA DO CRIME sabe que, neste processo, só em Luanda, são mais de 2.500 militares neste processo de transição, mas apenas 400 foram seleccionados. Não é a primeira vez que esses problemas vêm à liça. Quase todos anos, verificam-se queixas de gênero.








