Chefe de família alvejado mortalmente por efectivo do SIC no Cazenga é capitão das FAA e deixa mulher e 11 filhos
Três cidadãos nacionais dos quais dois membros da mesma família, que respondiam pelos nomes Francisco Adriano Manuel, de 65 anos de idade, Capitão das Forças Armadas Angolanas (FAA), com número de ordem 725/06 - NIP 83129505, licenciado à reforma, José Paulo de Almeida, de 22 anos de idade (neto), e Dilson Paulo Gabriel, de 19 anos de idade, (vizinho), todos moradores do bairro Curtume, município do Cazenga, rua da Sétima Avenida (bar Matemo), travessa do Ajax, distrito urbano do Kima Kieza, arredores do (Curtume), foram assassinados a tiros, na madrugada desta quarta-feira, 19, por um efectivo do Serviço de Investigação Criminal, identificado como Uatucaneto Moreira (Zico), colocado no Comando Municipal do Cazenga.
Por: Kihunga Bessa e Mário Cunha
De acordo com Rui Manuela, de 27 anos de idade, filho do malogrado, conta que tudo aconteceu por volta das 03 horas da madrugada, quando as vítimas saíam de um óbito, nos arredores, e ao chegar em casa, batiam fortemente o portão.
Por cauda da distância que separa à casa e a principal entrada, um deles tentou escalar o muro no sentido de facilitar o acesso.
Esta atitude chamou atenção dos moradores, que pensando que eram meliantes, começaram a clamar por socorro.
“Foi daí que o Zico saiu da festa onde estava, em casa da mãe dele, empunhou uma pistola, aproximou-se das pessoas que estavam no portão e começou a efectuar vários disparos a queima- roupa”, recordou.
"Não sabemos as reais motivações que o levaram a cometer o crime, ele até é amigo de casa desde infância, quando ele estava a disparar um dos sobreviventes ainda chamava pelo nome dele para parar, mas mesmo assim continuou com os disparos, como se tivesse rancor", narrou.
Ouvida por Na Mira do Crime, Madalena João Miguel, de 62 anos de idade, esposa do malogrado, realça que o assassino já é reincidente nestas práticas “de matar inocentes”.
Uma vizinha que não quis ser identificada, recordou que no passado (2023), o mesmo terá matado um jovem inocente, por recusar pagar uma cerveja.
"Ele até já não vive no Cazenga, vive em Viana, mas decidiu vir matar mais pessoas aqui", lamentaram.
Familiares e munícipes clamam por justiça, e pedem que o efectivo pague pelo acto cometido.
O militar na reforma deixa viúva e 11 filhos de três relações, todos sem qualquer posto de trabalho.
SIC-Luanda promete responsabilizar o seu efectivo
Contacto via telefone, o Porta-voz do SIC-Luanda, Superintendente-chefe, Fernando Carvalho, avançou que “Zico” ainda está em parte incerta, mas tudo está ser feito para sua localização e consequente responsabilização.
“Tão logo tivermos mais dados, vamos notificar os órgãos de comunicação”, concluiu.
Vale recordar que, na manhã de hoje, um outro jovem morreu depois de ser atingido por um tiro de bala de borracha, efectuado por agentes da Polícia.








