Sob ameaças de morte - Camponeses no Sequele acusam polícia e militares de usurparem os seus terrenos
Um grupo de camponeses residentes no bairro Vila das Ideias, Distrito Urbano do Sequele, município de Cacuaco, está a ser obrigado a conviver com invasores de terrenos maioritariamente ligados à polícia e às Forças Armadas Angolanas que, na ânsia ter uma parcela de terra, usam a máxima força contra os populares.
Por: Cambuta Vieira
Luzia Francisco Inácio, de 72 anos de idade, camponesa desde 1986, realçou que o problema começou em Fevereiro de 2022, quando um grupo de invasores de terrenos começou a destruir os produtos do campo.
"Eles vendem os espaços com o proprietário a ver, fazem as obras e tu não podes falar nada, sob pena de seres agredido", revelou, salientando que ela tem o dedo defeituoso por causa das agressões.
"Se te encontrarem a construir, destroem a tua obra, e põem fogo nas plantações, mas se tu lhes deres 400 mil Kwanzas, eles deixam-te construir à vontade", disse, acrescentando que eles dizem ser peixes grandes; fazem o que quiserem e ninguém os faz nada.
"Podem queixar-nos em toda Luanda completa, a polícia está connosco, e nós comemos com ela", desafiam.
De acordo com a anciã, os "invasores" usam objectos de todo tipo, desde armas de fogo, catanas, facas machados, martelo, paus às pedras; quando o assunto é usurpar terrenos.
Graça Mateus Adão está a ver o seu terreno a ser invadido por construções de um indivíduo que diz ser legítimo dono. "Ele comprou o terreno de um outro usurpador", conjectura, referindo que o terreno é de 150/50 metros.
E para o espanto dela, a referida obra está a ser erguida com a sua areia.
Puto Maria, também é lesado e viu o seu espaço a ser construído por um agente da polícia que alega ser o novo proprietário.
"Eu recorri à polícia do Sequele, já que o mesmo diz ser efectivo da PNA, mas sem sucesso", lamenta.
Nlando Manuel controla o terreno da sua irmã de 200/200 metros, há mais de 05 anos, e foi agredido várias vezes, mesmo usando a argália, não foi poupado, facto que o leva a perder confiança na esquadra do Sequele, aonde recorreu sempre que fosse atacado.
"Nós não temos confiança na esquadra do Sequele, porque os seus efectivos estão cientes da situação, mas não fazem nada", reafirmou.
Ele disse que o processo de venda ilegal de terrenos naquele território envolve directa ou indirectamente efectivos da polícia e das Forças Armadas.
Os preços variam entre Akz 500.000.00 e 1.500.000.00, dependendo das dimensões. Os invasores estão bem identificados: Bento, Osvaldo, Zacarias, Mão Curta (também conhecido por Kangamba), Obama, Kundi (mais conhecido por Luciano), Lewa, Nicha (este dizem ser comando boina vermelha e, às vezes, aparece fardado), Big Joel, Nené e Papa.
A equipa deste jornal deslocou-se até ao comando municipal de Cacuaco, no sentido de ouvir a sua versão. No terreno, os repórteres foram informados que a polícia daquela esquadra não tem nenhuma relação com os invasores de terrenos.
Aconselham que os camponeses lesados devam dirigir-se ao comando municipal, no sentido de fazerem uma participação, e se repôr a legalidade.
Já em relação à legalização dos terrenos, instam os queixosos ou interessados a dirigirem-se à administração municipal para os devidos efeitos.








