Posto de polícia tornou-se parque de estacionamento: “Savimbi” e “Colombianos” controlam e ditam regras no bairro Boa-Fé em Viana
Moradores e coordenadores do bairro Boa-Fé, arredores da Casa 70, município de Viana, lançam o grito de socorro as autoridades, e denunciam que grupos de marginais devidamente identificados atormentam à população dia e noite, com assaltos na via pública e em residências, com doses de “muita violência”, para além das rixas que são o pão de cada dia daquele território do município satélite.
Por: Solange Figueira
Grupos como “Savimbi”, Colombianos”, “Os Povos Lambidos”, “ABC” e os “50 Problema”, com maior realce aos dois primeiros citados, controlam e ditas as regras de como as pessoas devem se movimentar e a que horas.
José, morador do bairro, conta que o sítio mais crítico é a pracinha da casa 70.
”Este bairro todo é inseguro, a partir das 18horas já não se consegue passar nesta pracinha, se passares serás assaltado e desmontado, até os calçados eles levam, quando saímos de casa, às 6horas, para ir trabalhar, temos que formar grupos de pelo menos 10 pessoas para andarmos”, alertou.
O nosso entrevistado, disse que existe um posto policial na pracinha, mas existe apenas um único polícia a trabalhar de noite, aumentando para mais dois de noite.
“Eles só têm três polícias num bairro como este, isto nos deixa irritados, porque o posto policial que aqui está, serve mais como parque de estacionamento, onde polícias cobram entre 500 e 200 kwanzas, para guarnecerem as viaturas e motorizadas, e colocam a segurança das pessoas em segundo plano”, denunciaram.
Segundo contam, os agentes podem ver os marginais a lutarem e a assaltarem, mas não fazem nada por estarem em número reduzido.
Dona Joana, conta que sofreu retaliações e agressão física por ser esposa de um dos coordenadores do bairro.
“Sou esposa de um dos coordenadores, fui assaltada e agredida fisicamente aqui nesta pracinha quando estava a descer do táxi e a ir para casa, o marginal pediu-me para parar, seguidamente recebeu os meus pertences e começou a me agredir, ele tirou uma lâmina, feriu-me no rosto e disse para eu informar ao meu marido para deixar de queixar à polícia, senão a próxima vez vou morrer, fiquei em choque, até hoje estou assustada”, declarou.
Júlio Canda, coordenador do bairro, conta que há anos os moradores da Boa-Fé vivem em perigo e sem segurança.
“Vivemos em perigo constante, a pracinha e a paragem da casa 70 tornaram-se uma terra sem lei, a zona é comandada por marginais, fazem o que querem e a qualquer hora do dia, muitas vezes nós da comissão do bairro agarramos os gatunos, levamos até à esquadra da Boa-Fé, mas, infelizmente, em menos de dois dias eles são soltos”, lamentou.
Descreve que, quando vão reclamar junto do comandante da esquadra, a resposta é que foram soltos pelo Ministério Público, “mas qual Ministério Público se aqui na Boa-Fé não tem procuradoria? será que nesta esquadra tem Ministério Público? A polícia daqui não gosta de trabalhar, só prendem os marginais que roubam os telefones, plasmas e computadores para eles mesmos ficarem com os objectos roubados”, acusou.
Segundo o responsável, no bairro há rixas de gangues todos os dias, assaltam todos os dias, “aqui tem um colégio privado, os alunos são assaltados a todo momento e ninguém faz nada para acudir esta situação, estamos a viver traumatizados e aterrorizados, é muita brutalidade e violência, pedimos socorro”, clamou.
A nossa equipa de reportagem deslocou-se até ao posto de polícia da casa 70 (cinco embondeiros), e constatamos que realmente apenas existia a presença de um único polícia a trabalhar durante o dia, que não se mostrou disponível a falar connosco.








