Chefe “enche bochechas”: Responsável do NIIP no bairro Paraíso acusado de extorsão e agressão física
Um agente do Núcleo de Investigação de Ilícitos Penais (NIIP), órgão afecto ao DIIP, da Polícia Nacional, identificado apenas por 'Cadete', destacado como chefe do Núcleo, colocado na Esquadra da polícia do bairro Paraíso, município de Cacuaco, é acusado de extorsão e agressão física contra os detidos.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
Várias denúncias têm chegado à Redacção do Jornal Na Mira do Crime, onde o dedo acusador recai para o agente em referência, tido como responsável (de aplicações) de técnicas de agressões duras durante os interrogatórios.
"Ele é conhecido como 'chefe enche bochecha', manda encher as bochechas e bate com as duas mãos, bate muito nos detidos, não importa quem seja, inocente ou não", denunciaram.
O referido agente do DIIP, disse a fonte, procura sempre tirar dividendo nos artigos apreendidos aos meliantes.
"Apareceu na nossa casa com um gatuno, acusando a minha irmã de ter comprado uma botija azul das mãos do mesmo, mas a botija de gás dela é de cor laranja e não azul", sublinhou.
Por ter negada a acusação, disse, a irmã foi levada até a Esquadra do Paraíso onde foi agredida fisicamente.
"Começou a bater nela e fomos obrigados a pagar 15 mil Kwanzas para ser solta, sem nos ser devolvida a botija; ao questionamos quem terá sido a vítima do roubo, o chefe Cadete não conseguiu indicar, e disse que a botija apreendida terá sido confiscada para o benefício do Estado”, denunciou, acrescentando que o mesmo polícia havia dito que podiam ir se queixar onde quer que seja, porque aí o chefe era ele.
“Duas semanas depois, através dos colegas dele, ficamos a saber que levou a botija na sua casa", revelou.
A denunciante acusou que o agente faz dos detidos um meio de obtenção de lucros.
“Os detidos são conduzidos às celas onde permanecem por sete dias ou mais, a liberdade é garantida pela entrega de dinheiro”, denunciou.
"O meu primo estava detido na esquadra do Paraíso, por não ter cumprido com o prazo de pagamento de uma dívida de 10 mil Kwanzas a uma moça, e a jovem o denunciou-o ao chefe Cadete”, explicou um outro denunciante.
“O Cadete deu-lhe uma boa surra e o colocou na cela, tivemos que pagar a divida da moça, mas continuou detido por mais cinco dias, e só foi solto graças ao pagamento de 15 mil Kwanzas, mas parece que a mesma moça era amiga do Cadete, porque dias depois vimos ele com a moça na pensão do Tchiriri, no Paraíso", descobriu.
A Investigação feita pelo Na Mira do Crime, apurou de uma pessoa idónea ligada a esquadra do Paraíso, que o implicado terá varias vezes sido repudiado pelo comandante pelas práticas indecorosas por ele cometidas.
"Por exemplo, no dia 20 do mês corrente, recebemos um senhor que terá sido agredido por um grupo de jovens, tendo um deles sido detido, a família pagou e ele soltou o detido; o lesado foi ao Comando Municipal fazer a queixa, e orientaram-no a voltar a esquadra e falar com o comandante", segredou.
A nossa reportagem contactou o Intendente Quintino Ferreira, porta-voz da Direcção Investigação de Ilícitos Penais (DIIP), que avançou não haver nenhum registo de participação no comando municipal de Cacuaco, contra o referido agente, pelo que, aconselha os lesados a se dirigirem a mesma unidade policial para que sejam averiguadas a veracidade dos factos.
"Os lesados devem fazer uma participação ao comando municipal, para que seja levada acabo uma investigação e, caso seja provado que os factos sejam verdadeiros, a inspecção vai tratar do assunto", assegurou.








