Três meses depois - 3ª Esquadra e PGR acusados de manter detido jovem de 24 anos 'ilibado' das acusações de violação sexual
Um cidadão, identificado por Timótio Kadima Kivuila, de 24 anos de idade, está detido desde Abril do ano em curso, por acusação de crime de violação sexual a uma rapariga, que responde apenas por Jaqueline, de 14 anos de idade, no bairro Popular, município do Kilamba Kiaxi, sendo que os exames feito à vítima, no laboratório central de criminalista provaram o contrário e, na sequência, a família da rapariga retirou a queixa-crime na 3ª Esquadra da Polícia, situada na Vila Alice.
Por: Cambundo Caholua
De acordo com a irmã do acusado, Maravilha Lúcali, tudo começou no dia 3 de Abril deste ano, por volta das 18 horas, na Rua Ana Ngola, quando Timóteo se encontrava na garrafeira, denominada MB-Térmico, um estabelecido de venda de bebidas, por sinal, o seu local de trabalho, tendo sido surpreendido pela menina já mencionada que o pediu para carregar o telefone, tendo aceitado o pedido de bom grado.
"A Jaqueline chegou à garrafeira, onde o meu irmão trabalha e disse que estava sem carga no telefone, e ele aceitou que ela carregasse a bateria", começou por explicar a irmã, prosseguindo que o seu irmão quando saiu fora da garrafeira, notou que estavam à procura da miúda e, de seguida, disse à moça que estavam à procura dela, tendo ela pedido ao acusado que não dissesse nada sobre a sua presença na garrafeira.
"Por favor, não diz que estou aqui porque querem bater em mim”, implorou a menina que não disse porquê bateriam nela, e mesmo depois de interrogada sobre isso, manteve-se calada.
Maravilha conta que o seu irmão pretendia explicar a um dos familiares da mesma e pedir que não batessem nela. Um dos tios da menina entrou na referida garrafeira, tendo se instalado um alvoroço.
"Assim que o tio chegou, puxou a miúda e começou a espancá-la, dizendo que já te avisamos para não vires mais aqui, e perguntava-lhe insistentemente o que lhe tinham feito. A miúda respondia que não lhe tinham feito nada, mas a surra foi tanta que acabou por dizer que tinha sido violada”, descreveu.
Maravilha explicou ainda que depois disso, os familiares dirigiram-se até à garrafeira no intuito de agredir o irmão, mas este sabendo que não havia feito mal nenhum, implorou que isso não acontecesse, tendo sugerido que o levassem a uma esquadra policial mais próxima da zona.
"O meu irmão disse a eles que não fez nada, pelo que dadas as graves acusações, o levassem à esquadra; fechou a garrafeira e foram", afirmou. Questionada se no estabelecimento, para além do irmão e a rapariga, na altura dos factos, havia mais pessoas, a nossa entrevistada respondeu nos seguintes temos: "tinha pessoas a consumir, era numa sexta-feira, as pessoas que lá se encontravam diziam que esse moço não fez nada nessa menina, estão a acusar sem que algo tivesse acontecido", recordou.
Após isso ter ocorrido, o acusado ficou detido na esquadra da Chapinha, propriamente no Neves Bendinha, bairro Popular, onde, segundo a irmã, foi espancado pela polícia de forma assumir que violou a menina de 14 anos.
O processo foi posteriormente transferido para a 3ª esquadra, situada na Vila Alice, Distrito Urbano do Rangel, tendo como número: 319/24-PGR.
Diante dessa situação, a família levou à adolescente ao laboratório central criminalista, onde depois de várias análises os médicos concluíram que a rapariga não sofreu violação sexual.
Logo em seguida, depois dos resultados dos exames, a mãe da Jaqueline, identificada por Mariana Moio, achou por bem ir junto da Procuradoria Geral da esquadra em referência, onde estava detido o jovem, repor a legalidade e retirar a queixa-crime.
No entanto, após terem seguido todos os procedimentos, até à data presente já se passam quase três meses e a polícia não pôs o jovem em liberdade.
Por sua vez, para a surpresa, no dia 28 de Junho, Timóteo foi transferido, sem o consentimento da família, a uma das Comarcas de Luanda.
"O meu irmão foi transferido para uma das comarcas, ainda não sabemos qual delas, e ele está doente, está com malária cerebral, devido ao espancamento que sofreu na esquadra", desabafou.
"Mas se a família da menina, diante dos exames, comprovou que ela não foi violada e a mãe retirou a queixa, porquê é que a polícia não solta o meu irmão", indagou, tendo, por último, dito que sempre que fosse à PGR, no intuito de saber sobre a soltura e a caução que seria aplicada ao irmão apenas lhe era dito para aguardar.
A irmã apela que a justiça seja feita e que libertem logo o jovem que se encontra neste momento sem gozar de boa saúde.
Duas cartas que este Jornal teve acesso, que a mãe de Jaqueline dirigiu uma junto à divisão do SIC/Rangel, ao passo que a outra foi endereçada aos órgãos de Polícia Criminal do município do Kilamba Kiaxi, a senhora reconheceu que houve um engano e, por isso, diante das referidas instituições solicitou que se colocasse em liberdade o jovem, por ser inocente.
"Venho por intermédio desta solicitar a digna Procuradora do Ministério Público, a retirada da queixa, contra o senhor que responde pelo nome de Timótio Kivuila Kadima, uma vez que a família já assumiu a responsabilidade, logo notou-se que foi engano", lê-se numa das cartas entregue no dia 17 de Abril ao Ministério Público junto do SIC/Rangel.
Por outro lado, nas conversas mantidas por via whatsap entre a irmã de Timótio, no caso Maravilha, com a Jaqueline, esta mostra-se arrependida e afirma que o jovem é inocente.
"Deus sabe o quanto ele é inocente, nunca vou me esquecer de toda ajuda que ele fez para mim", escreveu a menina.








