Caso Laurindo Vieira: Tribunal de Belas julga homicidas e funcionária do Banco BIC em Agosto
O caso Laurindo Vieira, um processo mediático que chocou a sociedade angolana, por se tratar do terceiro assassinato em quatro semanas naquela zona de Luanda, já deu entrada ao Tribunal do Benfica, no distrito urbano de Belas, para o arranque do julgamento.
Por: Telson Mateus
Ao todo, seis arguidos vão se sentar no banco dos réus no mês de Agosto para explicarem as razões que os levaram a tirar a vida do académico, até a data da sua morte, reitor da Universidade Gregório Semedo e alegado funcionário dos Serviços de Inteligência e Segurança Militar (conforme o passe de serviço tornado público) dias depois do seu falecimento por disparo de arma de fogo na tarde de quinta-feira, 11 de Janeiro do ano em curso.
Segundo fontes do NA MIRA DO CRIME, os arguidos, incluindo uma funcionária da agência do BIC, que vai responder o processo em liberdade por se encontrar sob termo de identidade e residência, serão ouvidos no Tribunal de Comarca de Belas.
Durante a reconstituição do crime, acompanhada ao pormenor por este jornal, Hélder Ricardo, de 23 anos, autor do disparo fatal que levou à morte do professor, revelou que ele e os seus comparsas acompanharam a vítima desde o banco, onde terá levantado um milhão de kwanzas, segundo o comprovativo do banco, cujos valores nunca chegaram a levar.
A funcionária bancária encontra-se suspensa das suas funções no banco até provar, em tribunal, que não faz parte da quadrilha que tirou a vida ao académico, depois de ter sido atendido por si, daí o motivo de lhe ter sido aplicada a medida de coacção de apresentação periódica às autoridades.
Após ter saído da dependência do BIC, contam os marginais, Laurindo Vieira dirigiu-se a outra instituição bancária, ainda nas proximidades, e foi naquele momento que foi abordado pelos marginais.
Segundo o autor confesso, Laurindo Vieira tentou reagir surpreendendo os com uma arma de fogo, tipo pistola, durante a abordagem dos marginais.
"Ele abriu a porta da viatura, pensei que entregaria o dinheiro, afinal tirou a sua arma e manuseou-a à nossa frente. Com medo de ser atingido, e com o susto, disparei no pé dele e retirei-lhe o telefone e a pistola", descreveu o homicida, afirmando que não fez um disparo intencional e colocou-se a seguir em fuga.
O plano era, acrescentou, apenas levar o montante que Laurindo Vieira levantou do banco, e não o matar, como acabou por suceder porque a bala atingiu uma artéria vital.
A rua principal do Patriota tem inúmeras unidades bancárias e é neste mesmo local que, no mês de Dezembro de 2023, se registou um assalto com disparos de arma de fogo contra um motorista que conduzia o carro que transportava somas avultadas de dinheiro e um transeunte que decidiu imobilizar um dos assaltantes.
Laurindo Vieira exercia, até à altura da sua morte, o cargo de reitor da Universidade Gregório Semedo, com passagem pelo ISCED e Instituto de Serviço Social.
Natural de Dange-Quitexe, província do Uíge, Laurindo Vieira era graduado em sociologia e tinha mestrado em Ciências da Educação, pela Universidade do Porto.
Como comentador televisivo, Vieira emprestava o saber sobre assuntos de grande relevância social e política.
Mortes somam-se naquela zona de Luanda
Laurindo Vieira foi a terceira vítima mortal em menos de um mês, na via do Patriota, no município do Talatona.
Os três homicídios ocorreram em circunstâncias idênticas e com o mesmo "modus operandi", todos foram feitos à luz do dia e com recurso a arma de fogo.
Uma das razões apontada pelos cidadãos para esta realidade é a fraca cobertura através de câmaras de vigilância controladas pelas autoridades e o fraco patrulhamento policial naquela zona da cidade capital.
Até ao mês de Dezembro de 2023, a Polícia Nacional assegurou que a situação de segurança pública em Luanda era calma e estável.








