Roubo de mais de 100 milhões kz: Tesoureira do BCI “foge” de julgamento e deixa justiça a ver navios
Foram precisas apenas três audiências de julgamento para se 'dar como provado' que a tesoureira do BCI, uma das principais suspeitas do assalto que ocorreu em 2022, na dependência do banco no município de Viana, onde ela trabalhava, pode ter sido culpada do crime que pesa contra si e mais três colegas seus arguidos no processo.
Por: Telson Mateus
Segundo apurou o NA MIRA DO CRIME, que tem acompanhado ao pormenor a evolução deste caso desde o seu início, em Fevereiro de 2022, Darcia Margareth de Sousa Couto Pinto, de 29 anos, até então tesoureira daquela agência bancária e que estava a ser julgada em liberdade, viu nessa condição a oportunidade perfeita para fugir das autoridades e desaparecer do mapa depois de ter assistido apenas três sessões de julgamento no mês de Março, estando desde essa altura em parte incerta.
Neste momento, segundo avançaram fontes deste jornal, o Tribunal da Comarca de Luanda vê-se diante de um grande dilema para saber o paradeiro da arguida, principalmente, por não ter despoletado mecanismos que pudessem conduzir essa instituição judicial para a localização em tempo oportuno caso situações do género venham a ocorrer.
Embora tenha sido detida em 2022, quando se deu o crime, na companhia de outros arguidos, nomeadamente, Joaquina Luísa Joaquim Chipuela Sebastião, de 56 anos, Gerente do banco e o subgerente Edmar Bernardo Miguel, de 35 anos, este crime que envolve quatro funcionários do Banco de Comércio e Indústria (BCI), com posições de chefia, que simularam um incêndio no banco e roubaram mais de 100 milhões de kwanzas da caixa forte, está longe de acabar destapando mais uma vez a careca existente no arcaico sistema de justiça angolano que, verdade seja dita, precisa de uma reforma profunda em face das "inúmeras bandeiras" - como se diz à moda angolana - vem dando.
A detenção deste grupo, ocorreu após o Serviço de Investigação Criminal (SIC) ter descoberto que, efectivamente, foi a quadrilha que simulou o incêndio no banco para esvaziar o cofre em largos milhões de kwanzas.
SIC está a ver fumo...
Com o seu desaparecimento, não restou outra alternativa ao tribunal senão emitir o competente mandado de busca e captura.
Embora os trabalhos de investigação para a sua localização e consequente detenção prosseguem, fontes deste jornal naquele órgão castrense fazem fé de que as autoridades policiais estão com inúmeras dificuldade para encontrar a mulher em função de alguns familiares estarem a encobri-la e a inviabilizar esse processo, que seria mais fácil com mecanismos já existentes noutras latitudes, mas que o sistema de justiça angolano teima em não implementar e colocar em prática.
Segundo se sabe, e consta da acusação, Darcia Margareth de Sousa Couto Pinto é a mesma funcionária que na presença de uma equipa multidisciplinar do BCI, demorou, com manobras dilatórias e artimanhas, a abrir a caixa forte do banco para inviabilizar a descoberta do furto milionário (101 milhões de kwanzas) que ela e os comparsas, incluindo um oficial das Forças Armadas Angolanas, pertencente à Marinha-de-Guerra, tenente Edson Pitra, morto pelo SIC durante a perseguição após o assalto na zona do Zango III, efectuaram ao banco sem contudo poderem justificar a ausência deste montante.
Dos 101 milhões furtados só apareceram 900 mil kwanzas.
Segundo fonte da polícia, tão logo os efectivos detiveram os marginais, sob o comando do comandante do Zango 3, contaram os valores e havia apenas 900 mil kwanzas.
A gerente e o subgerente do banco, a tesoureira e outro funcionário também foram detidos e são agora arguidos no processo acusados de abuso de confiança, danos, sabotagem informática, furto e associação criminosa.
Para o cometimento do crime, os arguidos desligaram o circuito das câmaras de vigilância e no último acto de dispersão, após tirarem os milhões, simularam um incêndio na dependência em causa.
Mas como não existe crime perfeito, os acusados não sabiam da existência de uma câmara que funcionava de modo autónomo e que continuava a filmar o seu ângulo de cobertura, não obstante os "truques de mestres" da quadrilha.
O NA MIRA sabe que o sistema de vídeo vigilância não funcionava desde o dia 03 de Fevereiro de 2022, sem no entanto os trabalhadores darem a conhecer à Direcção do banco.
Segundo a acusação, tão logo se deu o falso incêndio, a gerente da agência, que se encontrava de férias, apareceu no banco, com o pretexto de ter sido chamada por uma colega.
Esse facto, levantou suspeitas aos investigadores e veio a ser confirmado com a negação da colega em tribunal.
A gerente, de 51 anos, nega ser a principal mandante do crime e assegura que foi "tramada" pelos seus colegas.
Este crime ocorreu a 16 de Fevereiro de 2022, na agência do BCI, na vila sede de Viana e é o mesmo caso que chegou a colocar de 'costas viradas' o comandante do Zango 3, identificado por António Coelho e o delegado do SIC à data dos factos naquele município da cidade de Luanda.








