Ministério Público pede 24 anos de prisão: Antigo Comandante da Polícia no Belas pode apanhar pena máxima em Agosto
O ex-comandante da Polícia Nacional no município de Belas, Superintendente Evandro Aragão, que está a ser julgado pelo crime de homicídio, cuja vítima foi o cidadão Martinho Domingos Tchombé, de 46 anos de idade, um 3º Subchefe da polícia vai conhecer a sentença sobre o crime que pensava ser perfeito no dia 08 de Agosto do ano em curso. O Ministério Público, enquanto defensor da legalidade, pediu pena máxima para aquele oficial superior da PNA acusado de ordenar a morte do seu colega.
Por: Telson Mateus
Esta não é a primeira vez que um alto comandante da Polícia Nacional se senta no banco dos réus acusado de ter ordenado a morte de colegas da corporação, sendo que, um caso anterior bastante mediatizado, em função da posição do arguido, o tribunal deu como provadas as acusações e o réu acabou condenado.
Neste caso, é o que o digno representante do Ministério Público (MP), pediu aos juízes do Tribunal da Comarca de Belas.
Na última audiência do caso em que é acusado o antigo comandante da Polícia Nacional e delegado do Ministério do Interior do município de Belas, em Luanda, o superintendente Evandro Aragão, o defensor da legalidade e representante da PGR na sessão de julgamento solicitou ao tribunal a aplicação da pena máxima ao réu por entender ser ele o mandante da morte dos dois jovens assassinados na zona Verde, em 2023, no município de Belas, entre eles, um agente da Polícia Nacional, por sinal, seu próprio colega na corporação.
Caso esse for o entendimento do juiz da causa, António Yange, no próximo dia 8 de Agosto, durante a leitura da sentença deste processo-crime, cujo julgamento teve início no mês de Abril, Evandro Aração, até antes da sua detenção a ocupar a função de comandante da polícia de Belas, com a patente de superintendente, vai ser encaminhado à uma cela onde poderá passar alguns anos da sua vida.
Esta asserção vem do facto dos agentes a quem o comandante terá ordenado a morte do colega terem confessado em tribunal a autoria do crime e denunciaram os motivos pelos quais Evandro Aragão ordenou a execução do colega - imagine - com mais de 10 tiros de arma de fogo em frente ao filho mais-velho, identificado apenas por Nangolo, que testemunhou a morte do pai, e chegou a explicar ao NA MIRA DO CRIME, como tudo ocorreu.
Ao tribunal os três agentes detidos com o ex-comandante de Belas confessaram terem aberto o jogo e colaborado com o tribunal pelo facto de Evandro Aragão ter ordenado a morte de um dos colegas, o 3.º subchefe, e por temerem que seriam os próximos a serem mortos em gesto de queima de arquivo conforme aconteceu com o seu colega após a morte de dois cidadãos em condições desumanas.
Segundo a acusação, uma das vítimas foi asfixiada até à morte com um saco na cabeça, enquanto a outra foi agredida até à morte com um bloco de cimento na cabeça, sendo que o então comandante Evandro Aragão chegou ainda a maltratá-lo queimando-o no braço com um cigarro aceso.
Entretanto, segundo declarações de três agentes, arguidos no processo, as causas das duas mortes foram provocadas pelos homens do comandante, tal como atesta o resultado da autópsia realizada, depois dos corpos das vítimas terem sido recuperados de um matagal, no município de Belas, no mês de Fevereiro de 2023, onde chegaram a ser atirados.
Conforme a acusação do MP, os agentes em serviço, assim como o 3.º subchefe assassinado, passaram a comentar as acções comprometedoras dos seus superiores, incluído a do comandante, e este passou a persegui-los.
O assassinato do 3º subchefe
Ao NA MIRA DO CRIME, Nangolo, o órfão, que testemunhou a morte do pai, numa manhã em que lhe foi mostrado pelo progenitor o terreno que tinha comprado na zona do Canhanga, no Benfica, disse que minutos antes, embora não tenha prestado atenção na matrícula, ainda viu o carro dos assassinos passando por ele: era um Suzuki modelo Jimmy, de cor verde-claro, numa altura que se dirigia a unidade onde o pai trabalhava ao cumprir um pedido do malogrado.
"Tão logo regressei ao encontro do pai ele mostrou-me o terreno e enquanto conversávamos, a mesma viatura aproximou-se de nós e eu ainda tirei a minha motorizada do caminho para deixá-la passar, sem sequer desconfiar que aqueles eram os algozes do meu pai", explicou.
Num abrir e fechar de olhos, contou, os assassinos desceram da viatura "armados até aos 'dentes' e abriram fogo contra o meu pai, sem dó nem piedade", lembra, sublinhando que, naquele cenário de guerra e impotente nada mais fez senão tentar correr para sair dali com vida.
"Tentei correr, mas acabei por cair. Só tive que me abrigar por detrás da minha motorizada. Pus-me a rezar pela vida até que os assassinos se retiraram e puseram-se em fuga".
Já estendido no chão com mais de 10 tiros com o corpo crivados de bala, e as ambas as motorizadas esburacadas com os disparos, Martinho Tchombé ainda conseguiu mandar o filho avisar a unidade que ficava a cerca de 800 metros do local do crime.
Na corrida desenfreada para tentar salvar o pai, Nangolo encontrou-se com uma patrulha policial que pegou o malogrado e levou-o ao hospital Geral, onde veio a sucumbir pela gravidade dos ferimentos de bala de que foi alvo.
À data dos factos, os familiares lembraram que durante o trajecto para o hospital, havia uma viatura de marca Toyota, modelo V8 a seguir o patrulheiro até ao hospital, sem no entanto, poderem saber de quem se tratava.
De referir que o superintendente Evandro Aragão, enquanto comandante Municipal de Belas foi detido pelos efectivos do Serviço de Investigação Criminal (SIC), por supostamente estar envolvido em crime de homicídio do seu colega.
Com o oficial superior da Polícia foram igualmente detidos os polícias Valdimiro Kiesse Monteiro Domingos 'Rato Branco', chefe das Operações da Esquadra do Canhango, Cadete, chefe de Esquadra de uma das unidades de Polícia de Belas, e três agentes da Polícia.
Entretanto, uma carta deixada pelo malogrado, como prova das atrocidades e execuções arbitrárias feitas pelo então comandante Aragão durante o seu exercício das suas funções, pode ter ajudado a esclarecer o crime, que vitimou o 3º subchefe Martinho Domingos Tchombé, até antes da data da sua morte destacado na esquadra do Canhanga-Benfica, ao presumir que estava a ser perseguido por supostos colegas.
Isto viria a ser confirmado numa espécie de diário deixado pelo malogrado e passado a limpo pelo filho.
De lembrar que o caso semelhante a esse aconteceu em 2013, quando o então comandante provincial de Luanda, 'Quim' Ribeiro foi condenado na pena de 15 anos de prisão efectiva.
Naquela altura, 'Quim' Ribeiro e mais 20 companheiros foram acusados de terem estado envolvido na apropriação indevida, em Agosto de 2009, de valores desviados do Banco Nacional de Angola (BNA) e de ele e os seus co-acusados terem assassinado um oficial superior da Polícia e um funcionário dos Serviços Prisionais, a 21 de Outubro de 2010.








