Do Campo Militar do Grafanil – Vendedora de perfumes acusa três oficiais das FAA de burlarem um milhão e meio de kwanzas
Os cidadãos Pinto António, de 49 anos de idade; Luís Joaquim, de 36 anos; e Ivan Pedro Nangiata, de 38 anos de idade, todos afectos ao Campo Militar do Grafanil, o primeiro com a patente de Major e os outros com a patente de Tenente, são acusados de ter burlado mais de um milhão de kwanzas de uma comerciante de perfumes, conhecida por Madalena da Silva Gomes.
Por: Kihunga Bessa
A comerciante conta que no mês de Novembro de 2018, conheceu um cidadão nacional que responde pelo nome Pinto, Major das Forças Armadas Angolanas (FAA), afecto ao Campo Militar do Grafanil e, na qualidade de cliente, com o passar do tempo, este convenceu os outros clientes, por sinal, colegas da unidade militar a comprarem perfumes de Madalena, facto que o levou a granjear confiança da vendedora, ao ponto de passar a receber perfumes a crédito.
No entanto, a burla propriamente dita começa no mês de Maio de 2021, quando o Major, aproveitando-se da confiança ganha, solicita um empréstimo de Akz 313.000.00 (trezentos e treze mil kwanzas), inventando problemas para resolver.
"Mas ele não ficou por ai; estendeu a situação para mais dois colegas seus, conhecidos por Ivan e Luiz, também oficiais das FAA do mesmo quartel, com as patentes de Tenente que receberam um total de 900.000.00 (Novecentos mil kwanzas), totalizando um milhão e quinhentos e treze mil kwanzas, tendo prometido aumentar mais alguns valores no momento da devolução", explicou.
A queixosa soube que os valores monetários solicitados serviriam para a comprar um terreno para construção, e por causa da demora na devolução do dinheiro emprestado, em Janeiro de 2023, deslocou-se até ao Campo do Grafanil, onde foi recebida pelo Chefe da Auditoria identificado apenas por Nelson que terá pedido a documentação dos implicados com a promessa de resolver a situação.
"Só que, quando passei a ligar para o senhor Nelson, com o desígnio de saber sobre o andamento do processo, este, também, dava-me tantas esperanças apenas, sem mais nada", mediu, referindo que por causa do desespero, decidiu ir até ao Quartel-General, onde também deixou alguma documentação nas mãos de uma oficial dos Recursos Humanos, no sentido de entabularem contacto com os supostos burladores.
E mais: foi informada que ela não era a única a queixar-se dos mesmos indivíduos. "Quando o senhor Pinto me ligou para informar que receberia um crédito e que precisava do meu Bilhete de Identidade, por detrás, aparece Nelson (Chefe da Auditoria do Campo Militar do Grafanil) a dizer que não seria possível pagar a dívida, porque o dinheiro que teria recebido foi entregue a outras senhoras que se encontravam na mesma situação, e que já estavam no banco à espera", realçou.
Dona Madalena explicou que diante de todas voltas, ainda assim, não se cansou e rumou para outras instituições como à Região Militar Luanda, à Procuradoria Militar, mas as respostas eram todas iguais: que também apareceram outras pessoas na mesma situação.
Como solução, decidiu ir para o tribunal Teixeira Duarte, onde foi recebida pela oficial Débora.
Foi daí que o senhor Pinto e seu comparsa Ivan se fizeram presentes através de uma ligação feita pela oficial em referência, onde os mesmos se comprometeram a pagar.
"Só que, de lá para cá, nem água vem nem água vai, inclusive os telemóveis encontram-se todos desligados, até ao momento", disse, lembrando que dos valores monetários recebidos foram devolvidos apenas 200 mil kwanzas, faltando um total de um milhão duzentos e treze mil kwanzas.
Este Jornal sabe ainda que durante a sua passagem pelas instituições, foi-lhe informado que estava diante de uma burla.
Este jornal, contactou por via telefónica dois dos três acusados para ouvir a sua versão, mas Pinto António assegurou ter pago os seus valores precisamente no mesmo ano, depois de ter levado o caso à Procuradoria Militar.
Já Ivan Pedro confessa terem recebido os valores que constam da acusação, mas, neste momento, trabalha na província do Huambo, e acrescentou que há três meses, foi chamado ao tribunal onde, junto da senhora, lhe foi dado o ultimato e assinou um termo de responsabilidade para liquidar a dívida.
"Saí do Huambo para atender a chamada do tribunal dei a cara e prometo pagar os valores embora faseadamente", prometeu.
Salientou que dos valores recebidos já devolveu 100 mil kwanzas, e promete pagar mais algum valor no final deste mês e que tem mantido contacto com a vítima.
Questionado sobre o paradeiro dos seus comparsas, Ivan disse não saber o paradeiro dos mesmos, mas tem tentado contacta-los por via telefónica, os telefones não chamam.
"Na próxima semana, estarei em Luanda e o mínimo que posso fazer é ajudar a localiza-los", asseverou.








