Fracturou a coluna vertebral – SIC-Viana acusado de torturar até à morte jovem de 20 anos por roubar botija
Josemar João Lourenço, de 20 anos de idade, residente no bairro Km 44, Distrito Urbano da Estalagem, município de Viana, foi espancado até à morte na Esquadra do 6 por efectivos da polícia, depois de ser acusado de roubar uma botija de gás butano.
Por: Cambuta Vieira
"No passado dia 11 de Julho, quinta-feira, no período da manhã, o vizinho Frank veio ter com o meu marido, dizendo que o Josemar roubou a sua botija", começou por contar a Mãe do malogrado, Joana João Diogo.
"Assustamos, quando um grupo de mais de 5 elementos, conhecidos no bairro como 'Os The Best', começaram a agredir o meu filho, desde o bairro do 6 até aqui em casa; fizemos de tudo para acudi-lo mas já havia perdido 3 dentes", lamentou, sublinhando que no mesmo dia, de tarde, a vizinha Bibi foi à sua casa com efectivos do SIC, a mando do senhor Mendonça, afecto à esquadra do 6, alegando que o seu filho roubou a botija dele.
"Ficamos sem entender, porque o Frank e a dona Bibi vivem em casas separadas, pelo que o meu filho não tinha como roubar a mesma botija, na mesma hora, em casas separadas", rebateu.
Ela conta ainda que, para o seu espanto, a dona Bibi, na esquadra, disse que lhe levaram a botija, telefone e um fogão de forno, "coisa que não corresponde a verdade".
De tanta pancada que os efectivos davam a Josemar, este acabou por revelar que a botija estava com seu amigo David, tendo o SIC ido para lá buscar a botija e o respectivo jovem.
"Posto na esquadra do 6”, conta a senhora, “os operativos exigiram 50 mil Kwanzas para soltarem o acusado, e nós, como família, pagamos", assumiu, acrescentando que, mesmo assim, soltaram apenas o seu amigo David, foi também devolvida a botija, mas Josemar ficou na cela em estado crítico.
"O meu filho foi muito torturado, bateram nas costas dele com pilão de almofariz, amarraram as mão atrás, tendo fracturado a coluna vertebral, conforme apontou a autópsia", explicou, salientando que vomitava sangue e sangrava no nariz e nos ouvidos, mas não foi socorrido.
Mesmo estando mal, foi deixado na cadeia, mas depois de alguns dias ter piorado, decidiram levá-lo ao hospital Ana Paula do 6, onde chegou a convulsionar, mas sempre era mantido algemado.
A mãe do jovem conta que teve de sair do hospital para a esquadra com o objectivo de implorar para que lhe tirassem as algemas, porque os médicos alegavam que não podiam fazer nada caso ele se mantivesse algemado.
"Mais tarde, dada a gravidade, mandaram-nos ir ao hospital dos Cajueiros onde, horas depois, veio a falecer", aclarou, destacando que os algozes do seu filho estão livres de qualquer responsabilização criminal.
Quem não está livre é o pai do malogrado que, por procurar justiça, está a ser intimidado por alguns agentes do SIC.
SIC nega acusações e garante que já há um mandado de detenção contra os agressores do jovem
Contactado por este jornal, o Porta-voz do SIC-Luanda, Superintendente-chefe, Fernando Carvalho, informou que o jovem estava envolvido em práticas criminais e, durante um assalto contra uma senhora onde o mesmo terá furtado um telemóvel, foi apanhado pelos irmãos da vítima e agrediram-no brutalmente.
“A senhora terá reconhecido o assaltante e chamou os seus irmãos, que espancaram brutalmente o jovem, e fomos obrigados primeiro a leva-lo ao hospital dos Cajueiros onde depois foi transferido para o hospital Josina Machel, e acabou por morrer, já temos um mandado de detenção contra a senhora e os agressores, e tudo estamos a fazer localizar os envolvidos”, concluiu.








