Mixou dos dois lados: Recluso acusa advogado “Kito Fernando” por crime de deslealdade no caso “Roxane Pestana”
Um recluso internado no Estabelecimento Prisonal do Lubango, identificado como Walter Raposeiro, de 66 anos de idade, apresentou uma queixa-crime a Procuradoria-Geral da República (PGR) na Huíla e a Ordem dos Advogados de Angola (OAA), contra o advogado Kito Fernando, pelo crime de Deslealdade, punido pelo artigo 355 do Código Penal Angolano.
Por: Carla Nayara
O queixoso acusa o advogado pelo facto deste ter participado do primeiro interrogatório de arguido Preso, na condição de Advogado do recluso acima referenciado e, após colher informações, foi constituir-se advogado da outra parte, neste caso, dos familiares da ofendida nos autos do processos em que o arguido encontra-se preso.
Uma fonte da PGR que pediu anonimato, explicou ao Na Mira do Crime que o referido advogado é useiro nestas práticas, pelo que existem outras queixas contra o mesmo na PGR por tal conduta.
Fonte do Na Mira junto a ordem, avança que o advogado está suspenso, e responde a um processo disciplinar, sendo que pesam contra si outras cinco queixas
Advogado nega acusações
Contacto por este jornal via telefónica, Kito Fernando nega às acusações, e diz desconhecer qualquer queixa contra si.
O caso
O cidadão português Walter Raposeiro, de 66 anos de idade, foi condenado, em Março de 2023 a 26 anos de prisão efectiva, por homicídio qualificado da sua esposa Roxane Pestana.
Segundo o Tribunal de Comarca do Lubango, que julgou o caso, o réu matou a mulher a tiro, à meia noite do dia 25 de Setembro de 2021, a 200 metros da sua residência, na cidade do Lubango, tendo, de seguida, manipulado a cena do crime.
O juiz de direito que presidiu o julgamento, Gerardo Ukuma, ao ler a sentença, disse que após a conclusão de 407 quesitos, ao réu pesaram ainda crimes de difamação e calúnia, injúria, violência doméstica nas vertentes física e psicológica, que fizeram o cúmulo jurídico.
Pelos crimes, prosseguiu, o réu deve também pagar 300 mil kwanzas de taxa de justiça nos termos do artigo 89 do Código Penal e cinco milhões de kwanzas aos herdeiros legítimos da vítima. Devia igualmente, pagar dois milhões de kwanzas de indemnização à ofendida Sónia de Fátima Soares Pestana, irmã mais velha da vítima, por calúnia.
Na altura, o advogado da família da vítima, Kito Fernando, disse estar de acordo com a medida aplicada pelo tribunal, frisando que a justiça foi feita sem influência.
O corpo da mulher, então sub-gerente do Banco Internacional de Crédito (BIC) no bairro Mapunda, foi encontrado dentro da sua viatura com a arma do crime, num acto que os investigadores consideraram ter sido montado pelo próprio marido, para fazer passar por suicídio.
O acusado, em sede de julgamento, admitiu que a arma encontrada junto ao cadáver da mulher é sua, declarando que do seu arsenal constavam outras três destinadas à caça e prática de tiro desportivo, tendo, alegadamente, oferecido uma à esposa para protecção pessoal, com a qual, supostamente, teria se suicidado.








