Divisão foi orientada pelo superior: Polícia expulsa nove agentes acusados de apropriação indevida de dois milhões de kwanzas
Nove agentes da Polícia Nacional, ligados Unidade de Reacção e Patrulhamento (URP) de Luanda, no município do Cazenga, com idades compreendidas entre 29 e 55 anos, denunciam os seus superiores a quem acusam de despedimentos injustos.
Por: Solange Figueira
Segundo a denúncia que chegou ao NA MIRA DO CRIME, o caso remonta do mês de Maio de 2023, quando o jovem Miguel André de 35 anos de idade e os seus colegas, todos agentes da PNA, afectos a uma esquadra no Cazenga, foram chamados à prestar auxílio numa loja onde um dos seguranças, que guarnecia o espaço, estava a ser acusado do desvio de dois milhões de kwanzas.
"Depois de ouvirmos o acusado, um dos nossos superiores ordenou que repartíssemos o dinheiro apreendido entre nós, numa quantia que daria o valor de 250 mil kwanzas cada", explicou.
De acordo com Miguel André, o dinheiro foi inicialmente dividido por um 1° subchefe e por um oficial, cujos nomes preferiu não revelar.
Neste momento, sublinhou, foram expulsos da corporação um oficial, um 1° subchefe e sete agentes de terceira, que nos últimos dias, estão a encontrar inúmeras dificuldades para sustentar as suas famílias.
"Fui demitido no dia 25 de Maio, tenho esposa e cinco filhos para sustentar. Não sei o que fazer, mas reconheço que o meu erro foi ter recebido os 250 mil kwanzas", referiu, garantindo mais adiante que, a nível da Polícia, a ordem de um superior hierárquico é de cumprimento obrigatório, daí não ter questionado quando os mesmos procederam a divisão dos referidos valores.
Segurança solto a troco dos dois milhões
"Quando o segurança chegou a esquadra entregou o dinheiro ao oficial em serviço. Não posso dizer de quem se trata, mas foram eles que decidiram libertá-lo e dividir o dinheiro a todos", sustentou, acrescentando que tão logo repartiram os valores os agentes do Serviço de Investigação Criminal (SIC) se aperceberam do ocorrido e foram ao local, tendo detido os colegas em flagrante delito.
"Ficamos presos durante nove meses e, uma semana depois de voltarmos a trabalhar, fomos confrontados com um processo disciplinar e a aplicação da medida mais gravosa: a expulsão compulsiva da Polícia", apontou.
Expulsão eivada de irregularidades...
Miguel André afirma que foram expulsos sem justa causa, uma vez que não chegaram a ser ouvidos pela Polícia Judiciária (PJ) ou pela assessoria jurídica do Comando Geral ou do Ministério do Interior.
"Só para se ter uma ideia, não fomos condenados pelo tribunal. Apenas nos mandaram ficar em casa e cortaram o pagamento dos nossos salários. Fui militar durante 11 anos, estou na polícia há cinco anos e, infelizmente, estamos em casa até hoje sem saber o que fazer", notou, denunciando que, com este acto, estão a morrer aos poucos.
"Não sabemos como sustentar nossas famílias. Pedimos pelo amor de Deus que nos ajudem, precisamos de um advogado ou alguém de direito que nos possa ajudar", apelou, referindo que está a falar em nome dos demais colegas porque eles estão com medo de falar.
"Até o oficial e o 1° subchefe que dividiram o dinheiro também foram expulsos e estão com medo de falar, mas o segurança que roubou os dois milhões está solto", disse.








