Cacuaco - Jovens detidos ilegalmente denunciam cenas de tortura na esquadra das 500 casas nos Mulenvos de Baixo
Dois cidadãos nacionais, nomeadamente Cláudio António, de 18 anos de idade; e Orlando Manuel, de 19 anos, acusam elementos da polícia destacados na esquadra das 500 casas, no bairro dos Mulenvos de Baixo, município de Cacuaco, de os submeter à tortura, durante os dias em que estiveram detidos, por sinal, inocentemente.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
Os jovens em causa eram suspeitos de terem agredido um outro jovem, de 18 anos de idade, identificado por José Morais, que dada a detenção injusta, terá saído em defesa dos acusados, negando-les a autoria do crime que lhes era imputado, mas a polícia, “fez ouvidos de mercadores”.
Este jornal abordou o caso, no dia 09 do corrente mês, dando conta que, no dia 07, grupos de bandidos denominados "Neutino, Malta Pleia, Tem Pilha, PDB, ASGC e Os Barras Pretas", envolveram-se em motim, concorrido com ofensas graves contra integridade física, e que, por este facto, estavam a ser “caçados” pela polícia da Esquadra dos Mulenvos. Na altura, a acção policial justificava-se pelas rixas entre tais grupos que desarrumaram praticamente o bairro, impondo uma espécie de recolher obrigatório.
O Na Mira do Crime sabe que na investida da polícia, foram detidos os cidadãos Ricardo Manuel Álvaro “Rick”, de 20 anos de idade e Cláudio António Raimundo “Kilamú”, de 20 anos de idade, ambos residentes no bairro dos Mulenvos Sede.
Os detidos foram acusados de terem ferido com gravidade o jovem José Mondo Morais, de 18 anos de idade, quando este participava em uma luta com uso de armas brancas (catanas, faca e garrafas), onde o lesado foi atingido com golpes na região craniana e nos dois membros superiores.
Os jovens contam que, na ausência dos componentes do grupo, a polícia passou a deter todos os jovens que estiveram nas cercanias, tendo sido levados também só por terem estado próximo do local onde decorria a rixa. Aliás, é sua área de residência.
“Eu fui apreciar a luta e, mais tarde, retirei-me, mas a polícia queria apanhar qualquer pessoa que aí estivesse. Pararam ao meu lado e fui imediatamente acusado de ser o autor da agressão”, contou, afirmando que foi algemado, colocado numa motorizado e levado à esquadra, onde foi violentamente batido. Quando foi colocado na cela deu conta da presença do seu amigo Orlando, quem atestou que também tinha sido torturado.
Entretanto, para a sua alegria, o jovem que foi ferido, apareceu na esquadra para informar que os verdadeiros agressores eram o Ti-Doncam, Dalton e Cobra, de momento soltos, afectos aos grupos “PDB e os Barra Preta”. “A polícia tinha a informação que precisava nos mandar ir embora, mas mesmo assim eles condicionaram a nossa soltura ao pagamento de dinheiro”, revelou, referindo que a mãe de orlando, por não ter dinheiro, tinha de dar omo e lixívia.
Agora, com as sequelas dos ataques à flor da pele, os jovens clamam por responsabilização criminal dos agentes que os agrediram e que se consiga capturar os verdadeiros culpados.








