Zico continua foragido? - Familiares de cidadãos mortos por agente do SIC queixam-se da morosidade do processo no Cazenga
Embora com processos constituídos, os familiares dos três cidadãos vítimas de assassinato protagonizado por Uatucaneto Moreira (Zico), agente do SIC, no pretérito dia 19 de Maio do ano em curso na zona do Curtume, Distrito Urbano do Kima Kieza, município do Cazenga, denunciam morosidade na sua tramitação e aguardam pelo pronunciamento do SIC sobre a detenção do seu colega que, até ao momento, está em local incerto
Por: Kihunga Bessa, Mário Cunha e Leonor Correia (estagiária)
Informações obtidas de forma exclusiva dos familiares das vítimas revelam que, passados três meses, foram apenas constituídos os processos no Comando Provincial de Luanda que os mandou aguardar, para passos subsequentes, pela detenção do homicida Zico que, até à data presente, está foragido.
Rui Manuel, filho de uma das vítimas, conta que até agora, a Direcção do SIC ainda não se pronunciou sobre a localização do autor dos crimes, “o que constitui perigo aos familiares pelo facto do mesmo estar a vaguear pelas ruas e com armas de fogo”.
Ele acusa as autoridades de demorarem deliberadamente para “fazer o boi dormir”. "Eles estão a fazer esse todo tempo para que as famílias se cansam e esqueçam o processo", concluiu.
Já Aragão Segunda, irmão do malogrado Domingos Miguel, conta que o processo está em curso, mas encaram dificuldades para a fase de instrução dos mesmos; pelo que necessitam de ajuda de advogados da organização Mãos Livres para que os processos avancem na sua tramitação. "Desde que nos foram passados os processos, mandaram esperar até que o assassino seja detido para se dar sequência ao caso, mas já lá vão muitos dias", explicou.
Acrescentou que as famílias estão com dificuldades financeiras para se locomoverem todos os dias ao comando provincial, onde repousam os referidos processos.
O jornal Na Mira do Crime ouviu o Jurista e docente Universitário Frederico Manuel, sobre a conduta do acusado caso seja provado culpado e não na condição de elemento da ordem. O especialista explica que caso seja provado que ele é o autor em referência em que foram vítimas três cidadãos nacionais, será acusado do crime de homicídio qualificado e que a sua moldura penal é superior a 24 anos.
Uma vez que o regulamento disciplinar do pessoal da Polícia Nacional prevê que aqueles efectivos que estiverem envolvidos em crimes e forem condenados a uma pena superior a 3 anos, são expulsos compulsivamente por força da sentença; ele pode ser expulso porque o crime em causa tem uma moldura penal superior a 3 anos", expôs.
E quanto ao tempo que se arrasta sem que o autor seja detido, o especialista aconselha as famílias a constituírem advogados para estarem a par dos processos porque nada impede a normal tramitação dos mesmos.
De seguida, este jornal contactou o porta voz do SIC Geral, Superintendente-chefe Manuel Halaiwa para saber do possível processo contra o assassino, mas este promete pronunciar-se em breve.








