Utentes acusam responsáveis da creche pública do Zango-04 de cobrar 70 mil Kwanzas para inscrição de crianças
O Centro Infantil Comunitário Mukembele, uma instituição criada pelo Estado, situado no Zango 04, está a ser acusado pelos encarregados de educação de cobrar 70 mil Kwanzas para as crianças fazerem parte da creche.
Por: Solange Figueira
De acordo com os pais, a creche comunitária Mukembele está a especular os preços, uma vez que foi construído pelo Estado para ajudar as comunidades carentes. Por isso, a maioria das famílias que para lá acorrem não tem condições para pagar o valor monetário que está a ser exigido.
Mário de Sousa, pai de uma criança que já frequenta a creche há um ano, diz que ficou surpreendido quando foi fazer a matrícula do seu filho mais novo, de 2 anos de idade.
"A primeira vez, para a minha filha entrar na creche, paguei 35 mil Kwanzas, e deram-me o cartão e a bata, mas hoje não entendi nada quando fui fazer a matrícula do meu outro filho e cobraram -me 70 mil", intrigou-se, questionando se a creche continua estatal ou foi privatizada.
Agora que a situação parece irreversível, a solução, para ele, passa pelo abandono da instituição e procurar uma outra com um preço acessível.
Dona Carla corrobora com Mário e defende que qualquer que seja a motivação do aumento do preço, a instituição tinha que avisar previamente.
"O meu filho está aqui há cinco anos, e nunca paguei este valor a uma creche que é comunitária, mas não tem condições estáveis, nem luxuosas", sublinha, interrogando quem recebe essas avultadas somas em dinheiro.
Já Cândida, moradora do bairro há já alguns anos, inconformada com a situação, pede a intervenção urgente das autoridades.
Direcção desmente
Depois de ouvirmos todas as denúncias, a nossa equipa de reportagem deslocou-se até ao Centro Infantil Comunitário Mukembele, onde foi recebida pela sua directora, Anastácia Agostinho que diz que as acusações feitas pelos pais ou encarregados de educação não passam de mentiras.
"Os pais estão a dizer que estamos a cobrar 70 mil Kwanzas por crianças? Esta acusação é falsa, o nosso centro foi construído há 12 anos, começou a funcionar há 8 anos, e estou surpreendida com essas acusações, uma vez que este centro pertence ao Estado, informou, reiterando que a instituição cobra o berçário a 13 mil, que abrange as crianças dos 6 meses aos 1 ano, já os de 2 anos para cima pagam 10 mil mensais”, informou.
"Pela primeira vez, nós cobramos 35 mil por causa do cartão e da bata. Antes, recebíamos os filhos dos moradores e das comunidades vizinhas que não pagavam, mas ajudavam-nos sempre com alguma coisa, mas há 5 anos que recebemos apenas filhos de trabalhadores", aclarou.
Aproveitou a ocasião para explicar que o centro está aberto de segunda à sexta-feira, no período das 7 às 17 horas, mas neste momento, disse, não haver mais vagas.
O espaço alberga 200 crianças distribuídas em salas de 35 cada. Quanto aos valores monetários cobrados mensalmente, disse a responsável, servem para comprar alimentação e pagar os colaboradores.








