Encontrados com mais de 200 documentos: Funcionários da “Loja de Registo” de Catete detidos por tratarem documentos para estrangeiros de forma fraudulenta
Um grupo composto por mais de 15 elementos, dos quais 2 funcionários de lojas de registos, 2 estrangeiros, e 13 'chambeteiros' (os caçadores de clientes) foram detidos no passado dia 23 do mês corrente, na província de Luanda, município de Icolo e Bengo, Distrito Urbano de Catete, por tratarem documentos para estrangeiros de forma fraudulenta.
Por: Cambuta Vieira
Após um trabalho aturado levado a cabo pelos efectivos da esquadra de Catete, que dava conta de vários indivíduos presentes junto da loja de registos, investigou-se e culminou na detenção desses elementos, dentre os quais 2 cidadãos de nacionalidade congolesa, que não sabiam falar português nem mesmo sabiam o nome que estava nos recibos que possuíam e que davam conta de terem tratado o Bilhete de Identidade angolano.
Antónica Maquiesse, de 18 anos de idade, diz ser da província de Cabinda, mas não fala português.
Ela alegou que os seus pais já se encontram em Luanda há vários anos e que foi o pai que a orientou a ir ao encontro do senhor Severino.
"Nos encontramos na vila da Gamek, eu lhe dei 40 mil, depois daí fomos até Catete e, por volta das 17 horas, deram-me o recibo do Bilhete de Identidade, mas eu não entrei para assinar nada, até porque não sei o nome que está lá", confessou.
Às 17 horas, a regressarem para a paragem, com intuito de voltarem no dia seguinte para obter o Bilhete, foi detida pelas forças da ordem.
Por sua vez, o senhor Severino falou para este jornal que apenas foi acompanhar a menina.
"Eu peguei nos documentos e pude entregá-los ao senhor João", frisou. João, também 'chambeteiro' de documentos, alegou que estava no negócio apenas há um mês e deram-lhe 30 mil Kwanzas para o efeito.
António Gaspar, de 55 anos de idade, afirmou que "estava no negócio há 2 meses.
"Foi uma senhora de Luanda que me meteu nisso e que desconheço o seu nome", vincou. Victor Kunga Kadico, de 33 anos de idade, de nacionalidade congolesa, disse que apenas foi para lá tratar documentos.
Já Wilson António Kissunda, de 54 anos de idade, funcionário da loja de registos de Catete há mais de 18 anos, disse estar a ser acusado injustamente.
"O senhor João e o Severino vieram ter comigo no dia 21 e corri com eles. De tanta raiva de mim, estão a me indicar como estando no negócio ilícito, quando toda gente sabe que eu sou muito rigoroso no meu trabalho", afirmou.
Em posse dos acusados, foram encontrados mais de 200 documentos como: Bilhetes de Identidade, cédulas pessoais, cartão de saúde infantil, acento de nascimento, nota de liquidação, documentos de imigração estrangeiros, boletim de nascimento, recibos de bilhetes, declaração de comissão do bairro e certificados de habilitações.
O delegado municipal da polícia em Icolo e Bengo, superintendente Mateus Vasco, disse que os indivíduos são todos confessos nessas práticas.
"Agora é nossa intenção continuar a fazer diligências para podermos saber quais são os mecanismos traçados para o pessoal entrar no território", delineou, sublinhando que o município não tem registado entrada de cidadãos estrangeiros de forma ilegal.
O responsável fez saber que as investigações dessa natureza vão continuar e apelou os cidadãos a pautar por uma conduta sã, para não sentirem a lei sobre eles.
"Os infractores dessa natureza que forem apanhados em flagrante, vão sentir a mão pesada da justiça", avisou.








