Médicos chamam os pacientes do Hospital Geral do Bengo pelo nome da doença, doentes mais graves são tratados de múmias
Pacientes e familiares que procuram atendimento no Hospital Geral do Bengo, em Caxito, denunciam numerosos caso de morte naquela unidade hospitalar, pela falta de empatia de grupo de trabalhos aliado a negligência médica e maus-tratos dos técnicos de saúde, que estão bem identificados pelo Na Mira do Crime.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku e Carla Nayara
Os utentes, cansados de maus tratos dos enfermeiros e médicos, procuraram este jornal para denunciar o que vivenciam diariamente nas salas de enfermagem daquela unidade, onde dizem que, ao invés de ir a busca de saúde, acabam por sair mais afectadas psicologicamente.
"Os doentes internados são deixados a sua sorte, principalmente de noite. Das 18 horas até às 04 da manhã, os internados sobrevivem ajudando-se uns aos outros e, por sinal, as pessoas vão a óbito por falta de supervisão nocturna porque os profissionais de saúde vão dormir", contou uma paciente, que preferiu não ser identificada por temer represálias.
A falta de deontologia profissional, disse a fonte, constituí uma das razões de mudanças de estado emocional de quem se vê internado no hospital do Bengo, no entanto, conta, os doentes com diferentes diagnósticos são colocados na mesma sala de internamento, proporcionado uma possível aquisição de outras doenças hospitalares.
"Aqui a equipe médica anuncia a morte antecipada aos internados, os doentes são chamados pelos nomes da sua patologia e, os médicos chamam de múmia as pessoas com o estado mais graves de saúde, e perdem logo atenção”, lamentou.
“Os doentes que sofrem infecção respiratória, problemas psicológicos, Cardiovascular e outras, estão propensos a contrair outras doenças", disse.
Há dias, uma das pacientes, bem identificada por este jornal, quase perdeu a vida por má aplicação de fenobarbital, por parte da enfermeira identificada como “Ngueve”.
“Ela gritou de dor durante a injecção nas veias, mais tarde o braço começou a escurecer, graças a Deus ela sobreviveu, mas ela agora precisa de cuidados de especialização para saber se o medicamento não danificou outros órgãos do corpo, uma vez que, afinal, o enfermeiro que aplicou a medicação aplicou o fármaco errado”, denunciou.
"No dia 08 de Agosto, uma paciente quase morreu, depois de ser abandonada pelo corpo clínico enquanto convulsionava", lamentaram, acrescentando que, foi graças ao enfermeiro Panzo que a jovem sobreviveu.
Os frequentes cortes de energia eléctrica, principalmente no período da noite, constituí uma outra preocupação por parte dos familiares que têm os filhos aí internados.
"O hospital fica totalmente as escuras, os doentes ficam agitados, e nós cá fora ficamos preocupados porque alguns estão nos cuidados intensivos, dependentes de máquinas e, sem corrente eléctrica podem morrer”, revelou a senhora Maria, moradora do bairro Kawango.
Os utentes pedem a rápida intervenção das entidades de saúde em Angola, principalmente a ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta.
"Quando notamos que estão a trabalhar bem, é porque receberão uma entidade, depois tudo volta ao abandono, alguém de direito tem que fazer alguma coisa para parar com as mortes por negligência no hospital, pedimos que a ministra faça uma visita e converse com os doentes, não sairá daqui feliz", pediram.
Naquela unidade, faltam seringas, luvas e fármacos como dipirona. A falta água e higiene, também atentam contra a saúde dos pacientes.
Alguns nomes de enfermeiras que maltratam os doentes foram anunciados. É o caso da enfermeira “Ester”, que abandonou uma paciente, quando estava em paragem cardíaca. No mesmo caso está a enfermeira “Ngueve”, que parece desconhecer o trabalho que faz.
A enfermeira “Maiamba” tem o hábito de ameaçar as pacientes com abandono, quando é questionada sobre alguma anomalia.
A enfermeira “Brigite”, que parece ser nova no hospital, diz que os pacientes podem se queixar na ministra da Saúde, que nada acontece.
Durante a nossa estadia, até pelo menos 15 horas de quarta-feira, 04, tentamos ouvir a direcção clínica do hospital, mas sem sucesso.
Este jornal, via telefónica, tentou o contacto com o Secretário de Estado para Área Hospitalar, Leonardo Europeu Inocêncio, mas sem sucesso.
O titular do poder Executivo, João Lourenço, tem se debatido para construção de grandes unidades hospitalares um pouco por todo país, no entanto, a qualidade do atendimento por parte dos profissionais de saúde, na maior parte das unidades, deixa muito a desejar.








