Oficial da Polícia acusado de extorquir mais de 500 mil Kwanzas dos lotadores de Viana em 05 meses
Um Oficial da Polícia Nacional do Comando Municipal de Viana, identificado apenas por "Chefe Samy", que ostenta a patente de Inspetor, colocado no destacamento da 43 Esquadra, junto da casa da juventude, está a ser acusado de supostamente abusar dos poderes que tem para intimidar e roubar mais de 500 mil Kwanzas aos lotadores daquela circunscrição da província de Luanda, num período de cinco meses.
Por: Kihunga Bessa
De acordo com um dos responsáveis da Associação dos Taxistas e Lotadores de Angola (ATLA), na paragem da AngoMart, junto a FAPA, que falou sob anonimato, não tem sido fácil trabalhar aí por causa do famoso "chefe Samy", com seus comparsas que fazem vida cara aos jovens que, diariamente, lutam pela sobrevivência, e que muitos destes procuram abster-se do mundo do crime de que faziam parte.
Aquele responsável conta que, no princípio, a placa dava diariamente 13 mil Kwanzas ao Inspector, sendo 1500 para o pequeno almoço, 2000 para almoço e 10 mil no final dia, sob orientação do mesmo.
"Só que, vimos que era muito gasto, depois paramos de dar esse dinheiro ", revelou, salientando que foi a partir daí que o mesmo decidiu vingar-se, começando por recolher os lotadores, inclusive o homem das finanças, de forma injusta, e sem motivos para se apropriar dos valores, alegando que já foram vítimas das práticas quatro vezes e foram extorquidos mais de 500 mil Kwanzas.
Conta que a primeira acção do acusado começou no mês de Maio do ano em curso, em que o mesmo terá levado 177 mil Kwanzas e a recente aconteceu no dia 06 do mês corrente, por voltas das 17 horas, quando este e seus comparsas efectivos do DIIP, afectos à esquadra do 14, naquele município, fizeram-se ao local e levaram cerca de 5 jovens, incluindo o homem das finanças com a sua mochila contendo 137 mil Kwanzas.
Estes permaneceram detidos até domingo, 08, cuja liberdade foi dada depois da intervenção do presidente da ATLA que terá ligado ao segundo comandante provincial da polícia em Luanda, Pedro Januário, que orientou os efectivos a soltarem os lotadores.
"Eles saíram, mas a mochila com o dinheiro não apareceu até hoje", frisou.
O Na Mira do Crime ouviu também o presidente da Associação dos Taxistas e Lotadores de Angola (ATLA ), Leonardo Pascoal Lopes, que há 15 anos lidera a organização.
Mostrou-se indignado com a situação e explica que a maioria dos Lotadores está cadastrada e identificada numa Associação, desconhecendo-se as razões que têm levado aqueles agentes da polícia a tomar tal atitude.
"Nós somos parceiros do comando provincial, comando municipal, e Administração de Viana, também somos parceiros do Estado, temos documentos legalizados pelo Ministério da justiça, como uma Associação com objectivos específicos: de defender os interesses dos taxistas e dos lotadores", explicou.
Avançou ainda que no município de Viana, a Associação tem 37 paragens com mais de 907 jovens lotadores cadastrados a nível de Luanda e, segundo o responsável, o processo decorre e é contínuo que precisa do apoio da polícia e prevê atingir 5000 jovens, e estender o projecto em todo território nacional.
"O nosso objetivo é trabalhar junto com a polícia para mobilizar a juventude que está mergulhada no mundo da delinquência, e enquanto associação, apoiamos o Executivo nesta vertente", disse.
Concluiu que ao invés da polícia ajudar, ela tem criado muitas dificuldades no bom trabalho que a associação vem desenvolvendo.
Este jornal contactou o acusado por via telefónica, mas de cinco vezes, inclusive com mensagens, para ouvir a sua versão, mas sem sucesso. De seguida, contactamos o porta-voz em serviço da Polícia em Luanda, Inspector-chefe Euler Matari, também sem sucesso.
O Na Mira do Crime sabe que agentes da polícia actuam em todas as paragens de Viana, situação que deixa os lotadores revoltados e prometem marchar até à Direcção Provincial da DIIP, para mostrar a sua insatisfação e apresentar queixa.








