Desmascarados em tribunal: Ministério Público pede condenação exemplar aos assassinos de Laurindo Vieira
Está tudo dito em relação ao 'caso Laurindo Vieira', o professor académico e quadro do Serviço de Inteligência e Segurança Militar, assassinado em Luanda. No tribunal, caiu por terra as manobras dilatórias dos arguidos, que acusavam os agentes do SIC de os terem coagido e ameaçado de morte para assumirem a culpa da morte do académico.
Por: Telson Mateus
Segundo o entendimento da representante do Ministério Público (MP), Irene Figueiredo, cinco dos seis arguidos deverão ser exemplarmente condenados por tentarem enganar o tribunal alegando que foram coagidos e ameaçados para assumirem a culpa da morte do sociólogo Laurindo Vieira, de 60 anos.
Essa percepção ficou clara com a chamada dos agentes do Serviço de Investigação Criminal (SIC), arrolados no processo como declarantes depois de terem sido acusados de coacção, ameaça de morte e tortura contra os arguidos.
Em declarações no tribunal, os agentes desmascararam os alegados assassinos do professor, deixando-os sem pano para onde se agarrarem. Aliás, de tantas mentiras juntas, os arguidos acabaram por se enrolar ainda mais nas declarações que tinham feito em tribunal, entrando em contradição uns com os outros.
Um dos oficiais do SIC que acompanhou o caso desde o início, referiu que foi por via das chamadas telefónicas que os arguidos fizeram que se desencadeou a ponta de Investigação que culminou com a detenção do quinteto, tendo sido eles próprios, depois de detidos, que conduziram os operativos do SIC a proceder a localização e posterior detenção dos demais.
Por estes factos, não colhe a desculpa esfarrapada de que terão sido agredidos, coagidos e ameaçados de morte para assumirem a culpa de algo que foram eles próprios que cometeram.
Outro instrutor processual que ouviu os arguidos em declarações de sustentou em tribunal que os arguidos não apresentavam qualquer sinal de agressão ou brutalidade policial, como hematomas ou ferimentos graves, que pudessem indiciar os alegados maus tratos.
Daí, serem falsas as alegações dos réus por forma a se verem livres da possível condenação de um crime que chocou a sociedade angolana em virtude da vítima em causa.
Arguidos mostram-se arrependidos e pedem perdão a família da vítima
Depois de desmascarados pelos agentes do SIC e ao notar que estão diante de uma condenação exemplar, os arguidos puseram-se a chocar, com supostas lágrimas de crocodilos, tendo na ocasião se mostrado arrependidos e pedido perdão à família igual do antigo reitor da Universidade Gregório Semedo, a quem balearam numa perna, em Talatona, depois de o terem rendido para assaltar uma suposta soma avultada que teria levantado momentos antes numa dependência bancária na rua do Lar do Patriota.
Com essas alegações o Ministério Público pediu a condenação exemplar dos cinco arguidos e uma pena reduzida para a cidadã que adquiriu o telefone do professor das mãos de um amigo seu, sendo que, nos próximos dias, o NA MIRA DO CRIME poderá trazer nestas páginas a moldura penal a que os arguidos foram condenados pelo tribunal de Comarca de Belas.








