Procura-se Polícia no Rocha Pinto: Marginais e donos de bares “atazanam” a vida de moradores da rua do Prédio Café
A rua do Prédio Café, localizada no distrito urbano da Samba, bairro Rocha Pinto, é uma das mais movimentadas da zona. Bares, restaurantes e grupos de gangues adoçam às noites daquela parcela do município de Luanda. No entanto, quem levanta o gripo de socorro são os moradores daquela circunscrição, que alertam as autoridades que, com a azáfama instalada, subiu o índice de criminalidade e está associado principalmente a poluição sonora que se regista todos os dias naquela rua.
Por: Solange Figueira e Jurema Cabenda (Estagiária)
Segundo Cláudio Mateus, morador da referida rua, os donos de bares e restaurantes não respeitam o silêncio dos moradores e, por conta disso, os mais velhos e crianças não conseguem dormir.
“A perturbação é muita, o nível de criminalidade também, tenho vizinhos que decidiram sair do bairro e alugar em outros sítios, aqui só tem muita delinquência por causa dos bares, os marginais esperam os clientes saírem para roubarem e ainda intimidam os moradores com armas brancas, não sabemos aonde reclamar porque à polícia aqui não faz nada e têm conhecimento de tudo”, denunciaram.
Horácio Neto, morador, diz que os bares e restaurantes não têm limites, exageram no barulho da música.
“Da música já não falo porque ninguém faz nada para resolver esta situação, a falta de segurança e a criminalidade é outro problema, sofremos isso na pele todos os dias”, disse, exemplificando que, há dias, a sua esposa caminhava em direcção ao mercado, quando foi perseguida por quatro indivíduos que quase lhe esfaquearam, com a intenção de a receberam a pasta.
“Ela teve sorte porque foi socorrida pelas pessoas, e os meliantes não conseguiram realizar a acção”.
Bruno Tavares, outro morador, conta que o período nocturno é o mais crítico, e é onde os assaltos acontecem com maior frequência.
“Desconfiamos que os donos dos bares são amigos dos comandantes das esquadras, porque nunca são sancionados, outro facto é que alguns deles também são mesmo polícias, por isso os bares abrem todos os dias, e a aglomeração de pessoas causa toda esta instabilidade”, deduziu.
Refere que os criminosos não assaltam apenas na via pública, há registos de roubos em residências com recurso a arma de fogo.
“Temos aqui a esquadra do Catinton e a Esquadra do Capipa, mas quando demos participação à polícia chega sempre tarde, quando os crimes ocorrem nunca estão presentes, estamos viver horrores, precisamos de ronda policial”, alertou.
O Senhor Gabela vive em uma casa que está junta ao bar do terraço no “Mangolé”, diz que não consegue pregar os olhos há quatro anos.
“Muitas vezes denunciar à polícia é o mesmo que ficar calado, este bar do terraço está colado com várias casas, a minha é uma delas, no meu quintal não conseguimos permanecer por causa do barulho, é demais, já reclamamos tanto, mas ninguém faz absolutamente nada, porque o dono do bar é polícia, as autoridades devem tomar medidas, estamos a ficar surdos por causa do barulho excessivo, vamos apanhar AVC, não aguentamos mais com a delinquência, estamos muito mal”, desabafou.
Gerentes e donos de bares rebatem a acusação
A nossa equipa de reportagem ouviu os gerentes e donos de alguns bares e restaurantes, principalmente o bar do terraço “Mangolé”, muito foi citado nas denúncias. Neste estabelecimento, falamos com o Senhor Pedro Marques, gerente do referido espaço, e diz que tudo não passa de mentira e inveja dos seus concorrentes.
“Presumimos que as pessoas que estão a fazer estás denúncias são os donos das roullotes e outros bares, isso é competição, o dono deste bar cresceu aqui, evolui aqui mesmo neste bairro, por isso a inveja, os vizinhos daqui frequentam o bar e nunca reclamaram do barulho”, defendeu.
Disse que, aos dias de semana abrem das 10horas até às 22h, no final de semana, “começamos a por a música às 16h, e vai até às 2horas, sobre a delinquência, nós também já fomos assaltados várias vezes, só não estão a entrar de novo porque nos finais de semana temos tido seguranças que não deixam entrar qualquer pessoa”.
O gerente diz que o seu bar não perturba ninguém, e insiste na questão da inveja.
Teresa Paulino, dona do bar “Lounge Bar”, que está frente ao Prédio Café, diz que o seu bar tem uma música mínima, e não incomoda ninguém.
“Nós abrimos o nosso bar às 9horas e vamos até às 22horas, nesta rua há muito bares, mais o meu não perturba, ninguém nunca reclamou, há um ano que tenho este bar”, garantiu.
Celestina Veloso, gerente do “Bar 23” também nega às denúncias de poluição sonora, e “jura” que o barulho da música não sai fora do espaço.
“Abrimos o bar todos os dias, com uma música muito baixa, mais sobre a criminalidade aqui está exagerada, no domingo passado, por exemplo, teve uma grande confusão aqui dentro do meu bar, porque proíbo a entrada de jovens marginas, conheço os rostos, por causa disso me rasgaram às mãos com lâmina e atiram um bloco na perna da minha funcionária”, recordou.
No loca, o Na Mira do Crime identificou os grupos “Os BG”, “A Liga do Mal”, “Setecentos”, “Estão a Roubar Aqui”, “Tropa Nova”, “Os Noventa” e “Os TM” como sendo a raiz de todo mal naquela zona.








