Suposto Procurador Militar acusado de soltar à revelia militar que matou cunhado a tiro no bairro Paraíso
Fernando João, suposto Procurador Militar, está a ser acusado de soltar de forma clandestina, Dionísio Simão Valente, militar que matou a tiro o seu cunhado de 17 anos durante uma festa que decorria no bairro Paraíso, Distrito Urbano dos Mulenvos de Baixo município de Cacuaco
Por: Kihunga Bessa
No dia 26 de Agosto do corrente ano, o jornal Na Mira do Crime fez referência a este homicídio de que foi vítima o jovem António Pedro Vuvu, de 17 anos, estudante de enfermagem morador do bairro Paraíso, na qualidade de cunhado do suposto assassino, durante uma festa que decorria no bairro.
Leiam mias em: https://www.namiradocrime.info/show/11909
Em exclusivo a este Jornal, Pedro Vuvu, pai do malogrado, conta que após a ocorrência do crime, no dia 25 de Agosto, no dia seguinte, dirigiu-se ao piquete do SIC do Comando Municipal de Cacuaco, onde terá participado a ocorrência e consequentemente aberto um processo.
"Graças a Deus, o SIC não olhou atrás e, rapidamente, passou o processo com o número 3448/24 Cc e mandaram-me directamente para o Comando Provincial de Luanda, no dia 28 ", disse.
Segundo o nosso entrevistado, no dia 29 do mesmo mês, dirigiu-se ao CPL, onde foi ouvido e orientado para que fosse com as testemunhas. No dia seguinte, 30, cumprindo as orientações, levou as testemunhas àquela instituição onde, após terem ouvido tudo, foi elaborado um processo com número 13181/024 e este endereçado para a Polícia Judiciária Militar (PJM) e, depois, à Procuradoria Militar.
Conta ainda o pai, que dada a letargia que se registava na execução do processo, no dia 02 de Setembro do ano em curso, regressou ao Comando Provincial de Luanda para saber a tramitação do mesmo e foi-lhe orientado a constituir um advogado para dar melhor acompanhamento do caso.
Salientou que, de regresso à casa, os familiares efectuaram diligências que deram conta que após o sucedido, o militar foi apresentar-se ao seu quartel, e o seu comandante o levou sub custódia à Polícia Judiciária Militar (PJM) que, por sua vez, o colocou no presídio do Tombo, localizado na zona dos Ramiros município de Belas, onde permaneceu cerca de um mês.
De acordo com o progenitor da vítima, na busca de solução, no dia 9 de Setembro, dirigiu-se novamente ao Comando Provincial de Luanda no intuito de informar ao instrutor do processo, José Francisco onde estava precisamente o assassino do seu filho.
"No dia 15 de Setembro, fui á PJM, e, de lá, orientaram-me para ir à Procuradoria Militar, onde me foi usada no crime, forrada em um pano pelo Procurador Fernando João, que reiterou a detenção do acusado.
Explicou também que, incansavelmente, no dia 22 do mês passado, ligou para o secretário do suposto Procurador identificado apenas por "Sangue" e este o terá informado de que o assassino foi transferido para a esquadra 41 da Boa Esperança, no município de Cacuaco.
Revelou que no dia seguinte 23, recebeu uma ligação do acusado para que fosse às pressas àquela esquadra.
"Quando cheguei à esquadra, o acusado conversou comigo fora, sugerindo que eu devia procurar um advogado para dar seguimento ao caso ", revelou, acrescentando que o mesmo procurador ainda se predispôs a cumprir o papel de advogado, caso este estivesse preparado.
Fez saber ainda que, insatisfeito e por não entender o que se passava com as voltas que lhe eram dadas, no dia 24 do referido mês, regressou ao Comando Municipal de Cacuaco para saber da situação, uma vez que o processo já tramitava no Comando Provincial de Luanda.
Também por ter voltado àquela esquadra e o instrutor informado que não dominava o regresso do assassino.
Entretanto, sublinhou que no dia 7 do mês de Outubro, dirigiu-se novamente ao Comando Provincial de Luanda junto da Direcção do SIC, onde informou que o arguido foi levado à esquadra 41 da Boa
Esperança. Esta elaborou um mandado de captura do indivíduo por se tratar de um desvio.
"Para o nosso espanto, no dia seguinte, junto com os agentes do Serviço de Investigação Criminal, a partir do Comando Provincial de Luanda, fomos até àquela esquadra no intuito de procederem à sua captura, mas fomos informados pelos detidos que o assassino foi solto logo pela manhã do referido dia", disse.
O pai da vítima garante que não vai descansar até ver o assassino do seu filho condenado, e clama aos órgãos competentes para que o ajudem a conseguir um advogado para dar seguimento ao caso.
Importa referir que durante toda a trajectória, Pedro Vuvu e seus irmãos efectuaram um gasto de 32 mil kwanzas.
O jornal Na Mira do Crime sabe que, neste momento, o assassino encontra foragido.
No entanto, contactou o procurador Fernando João, para saber a veracidade dos factos, mas este diz tratar-se de fuga de informação, e confessa que não tem legitimidade de mandar levar o preso dum ponto para o outro.
"Mas ele, sendo militar, foi ouvido junto da Magistratura Militar, enquanto eu, sendo defensor oficioso junto do piquete da Procuradoria Militar e Magistrado não pode ouvir o arguido sem o defensor, fui nesta condição ", informou.
Acrescentou que após ser ouvido, o arguido foi conduzido ao presídio do Tombo e, posteriormente, requisitado para a esquadra 41.
"O caso agora deixa de ser da Procuradoria Militar e passa para o fórum comum. Tomei conhecimento, através de um colega do SIC, que o arguido foi transferido para um outro sítio ", disse.








