Implorou pela vida mas foi morto com arremesso de blocos na cabeça: Acompanha as últimas 24 horas de vida de Francisco Rosário Lisboa
Como soe dizer-se na gíria, quem te faz mal, te conhece. Para o jovem bancário Francisco Rosário Lisboa Ernesto, esta linha de pensamento aplica-se na medida. No caso em questão, afinal, quem idealizou a morte do jovem de 45 anos de idade, com tanta vida ainda pela frente, foi o cidadão identificado como Bruno Feliciano Campos, de 43 anos de idade, segurança da empresa Levite, protector da casa da vizinha do malogrado, com quem mantinha boas relações com o infeliz.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku e Cambundo Caholua
O Na Mira do Crime esteve na residência do malogrado na manhã desta quinta-feira, 24, nos arredores do bairro Patriota, município de Talatona, e percebemos junto da família, das autoridades e dos integrantes do grupo, como tudo foi planeado.
Na verdade, o segurança da casa vizinha, Bruno, tinha acesso à casa da vítima e conhecia o modo de vida de Rosário.
Com os olhos nas viaturas top de gama, Ford, modelo Rangel e BMW, e sabendo que o mesmo era funcionário bancário e tinhas algum dinheiro na conta, deduziu que aí estava a sua possibilidade de se tornar rico. Então, duas semanas antes do fatídico dia, contactou o seu sobrinho identificado por Félix de Oliveira para criar um grupo de assalto.
Este segundo elemento (sobrinho), por sua vez, contactou os bandidos João Inácio Samuel e Valdemar de Brito, assim como dois outros elementos em fuga para o assalto final, que ocorreu na noite de terça-feira, 22.
No dia do assalto, o cabecilha do grupo, Bruno, criou todas as condições para que os criminosos tivessem acesso à casa da vítima, passando pelo muro da casa que o mesmo guarnecia.
“O Bruno tinha intimidade com o Rosário, sabia onde ele guardava o dinheiro, e toda a mobilidade dele, distraiu-lhe com conversas enquanto os outros controlavam o movimento na rua”, contou um familiar do malogrado.
Após horas de espera, sabendo que a vítima já havia adormecido, os criminosos, munidos com multicaixa, uma AKM e objectos contundentes, entraram em casa do Rosário e o surpreenderam nos seus aposentos, sozinho, já que estava separado da esposa.
No interior de casa, o malogrado começou a ser agredido. Após sessão de tortura, foi levado até à sala, onde, foi obrigado a transferir mais de 1 milhão de kwanzas para a conta do proprietário do “TPA”, apenas identificado por William, que está em fuga e em posse de mais 300 dólares levados da casa do infeliz.
Após a acção, e como o objectivo principal era se apossarem das viaturas do malogrado para posterior venda, o grupo retirou alguns bens de valores da residência, raptou o bancário e foi levado até ao município do Kilamba Kiaxi, arredores do bairro da Fofoca, numa zona pouco movimentada.
Bruno, o cabecilha, em conversa com o Na Mira do Crime, admite ter comandado o grupo com promessas de remuneração de dinheiro, que teria sido arrecadada com a venda das viaturas.
“Prometi dar três milhões de kwanzas ao meu sobrinho, quanto aos dois que se encontram foragidos, entraram e, tão logo se apropriaram de alguns multicaixas, fugiram”, revelou.
A execução…
Na manhã de quarta-feira, 23, os vizinhos notaram a ausência do bancário e, quando a empregada chegou, deparou-se com as portas abertas, e alertou os demais, que rapidamente alertaram a família e as autoridades.
A bordo das duas viaturas, os criminosos amararam os braços e a boca da vítima, e seguiram caminho até a zona baldia da Fofoca.
“Lhe amarramos e levamos até a Fofoca, lhe espancamos muito, mas concordamos em não matar, até porque ele implorava pela vida dele”, disseram os marginais, mas, Bruno, segundo contam, de temperamento frio, voltou ao local onde a vítima já estava quase sem vida, e arremessou blocos e pedras à cabeça do infeliz, causando morte imediata.
O Alerta as autoridades e a detenção…
Com a denúncia feita, o Serviço de Investigação Criminal através da sua Direcção Central, accionou às linhas para apuramento dos factos.
Falando ao Na Mira, o Porta-voz do SIC-Geral, Superintendente-chefe, Manuel Halaiwa, explicou que, a Direcção Central de Operações do SIC, mediante um aturado trabalho de investigação, em sede de várias informações que tinham, conseguiram capturar quatro dos seis elementos envolvidos no crime.
“A vítima foi dada como desaparecido na noite de terça-feira para quarta, e o dia todo não dava sinais da sua localização e pôs-se a circular várias informações nas redes sociais, ligados ao seu desaparecimento… o SIC também teve acesso a esta informação e estava a trabalhar na mesma informação”, informou.
Referiu que foi no âmbito de uma linha operativa do SIC “detectamos que um dos cidadãos envolvidos no acto estava directamente envolvido na venda de uma viatura, de marca Ford, modelo Ranger, portanto a pretensão deste indivíduo era comercializar a viatura”.
Segundo apurou o Na Mira, Não havia ainda um preço estipulado, estavam a procura de clientes, para vender em peças (desmanchada).
“Diante desta informação”, explica o responsável de informação do SIC-Geral, “fomos ao encalço, detectamos quem era o indivíduo que estava a vender a viatura, indagado sobre os factos, esclareceu que tinha sido roubada em sede de um assalto premeditado, numa residência no bairro Patriota, com estas informações e no âmbito do trabalho de investigação e inteligência criminal, permitiu a detenção dos quatro”, explicou.
“Neste momento, embora a quadrilha é composta por seis elementos, estão dois em fuga, que também estão directamente envolvidos, aliás, um destes indivíduos conhecido por William, é o detentor do TPA que foi utilizado na residência para a consulta do saldo, também é o indivíduo que está em posse dos multicaixas da vítima e também 300 dólares que subtraíram de forma violenta, como dissemos, foi detido o indivíduo Vado, que é Electricista de profissão e logo a seguir foi detido um outro que é mais conhecido por Félix, que é sobrinho do cabecilha desta acção, que é, portanto, ladrilhador, e depois foram detidos em simultâneo primeiro e o cabecilha identificado como Bruno Feliciano Campos”, concluiu.
O Na Mira do Crime sabe que o corpo foi encontrado pelo SIC antes da detenção dos bandidos, após ser levado a Morgue Central de Luanda, após cruzada a informação, foi esclarecido o crime.








