Corrupção: PGR lamenta que Isabel dos Santos não tenha sido detida pelas autoridades dos Emirados Árabes Unidos
O Procurador-Geral da República (PGR) de Angola lamentou que as autoridades judiciais e políticos dos Emirados Árabes Unidos (EAU) não tenham entregue à justiça angolana a empresária Isabel dos Santos para responder pelos 12 crimes de que é acusada.
"Remetemos toda a documentação necessária ao Dubai, aos Emirados Árabes Unidos e aguardamos que eles cumpram", afirmou Hélder Pitta Groz no final de uma visita ao seu homólogo português, Amadeu Guerra.
Nas declarações aos jornalistas feitas nesta quarta-feira, 30, em Lisboa, o PGR sublinhou que "o importante é que se ponha à nossa disposição para que o processo seja concluído, seja por detenção ou por apresentação de sua livre e espontânea vontade", e enfatizou que "ninguém detém uma pessoa pelo prazer da detenção, mas pelo menos esperamos que [Isabel dos Santos] fique à disposição dos órgãos de justiça de Angola".
O PGR lembrou que, enquanto isso não acontecer, é difícil os processos ficarem concluídos".
No final do encontro, Hélder Pitta Groz afirmou que o encontro entre ele e Guerra foi apenas de cortesia, pois queria saudar o novo PGR, e que os casos de Isabel dos Santos não estiveram na agenda.
Empresária e filha do falecido Presidente José Eduardo do Santos, Isabel dos Santos, vive fora de Angola há vários anos.
Numa investigação realizada há cerca de dois anos, o Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação revelou em 2020 mais de 715 mil ficheiros, sob o nome de Luanda Leaks, que detalham alegados esquemas financeiros de Isabel dos Santos e do marido, Sindika Dokolo, entretanto falecido, que lhes terão permitido retirar dinheiro do erário público angolano através de paraísos fiscais.
A empresária tem mantido a declaração de inocência, argumentando que este é um processo político movido pelo atual governo angolano com o objetivo de denegrir a imagem da família do antigo Presidente.
A defesa de Isabel dos Santos nem ela própria se pronunciaram sobre o assunto.
Fonte: VOA











