Polícia investiga (possível) assassinato de efectivo da Casa Militar do Presidente da República no Belo Monte
Um cidadão nacional que em vida atendia pelo nome Virgílio Bernardo, soldado das Forças Armadas Angolanas (FAA), pertencente a Casa Militar do Presidente da República, de 43 anos de idade, morador do bairro Belo Monte, Distrito Urbano dos Mulenvos de Baixo, município de Cacuaco, morreu na tarde de domingo, 10, no Hospital Militar Central, depois de ser agredido com um objecto contundente na região da cabeça.
Por: Kihunga Bessa
Em declarações exclusivas ao jornal Na Mira do Crime, Adolfo José Farias, irmão menor da vítima, explicou que tudo aconteceu na tarde de sábado, 02, do corrente mês, por volta das 17 horas, quando o seu irmão terá saído de casa com um amigo identificado apenas por "Morote" que por sinal também é seu vizinho.
Segundo o familiar, no mesmo dia o militar não terá regressado à casa, e foi encontrado por volta das 5 horas do dia seguinte, estatelado em frente ao portão da sua casa.
Questionado o amigo, o mesmo informou que estavam bêbados, mas acompanhou a vítima até ao portão de casa, por volta das 3 horas da madrugada.
“Quando encontramos o mano, já estava debilitado, sem forças, com sinais de espancamento e sem os seus pertences, sobretudo o cartão multicaixa, lhe tiramos da rua e levamos dentro do quintal", informou o irmão.
Acrescentou que, visto que o irmão estava muito fraco, e não falava, confeccionaram sopa e deram de comer ao militar.
No entanto, o estado clínico não alterava, então decidiram avisar os seus colegas, que prontamente levaram o jovem ao Hospital Militar Central, onde foi submetido a uma intervenção cirúrgica na região da cabeça, por conta de uma agressão sofrida com um objecto contundente, e acabou por morrer na manhã de domingo, 10.
Berta José, esposa do malogrado, conta que tem sido habitual o esposo sair de casa com o amigo para juntos irem beber, e volta em casa às 23 ou zero horas, diferente do que aconteceu naquele dia.
"Depois de levarmos ao hospital, na segunda-feira, 04, fomos participar a situação a esquadra do Ângelo, mas fomos banalizados pela polícia", disse a senhora, que aponta o dedo acusador a senhora que terá atendido a bebida ao seu marido, por esta ter ficado com o cartão multicaixa do seu esposo sem motivo aparente.
Na tarde de terça-feira, 05, conta a viúva, dirigiram-se ao Comando Municipal de Cacuaco, onde voltaram a participar o caso e, sequentemente abrir o processo-crime.
De acordo com a entrevistada, na tarde de sábado, 09, agentes da polícia da Esquadra do Ângelo, deslocaram-se até a residência do militar, e receberam o número de processo que estava em posse da família.
Na manhã desta segunda-feira, 11, a família dirigiu-se novamente ao Comando Municipal de Cacuaco onde voltou a abrir um outro processo, e exige que a senhora dona de casa onde o militar estava a ser atendido a bebida e o amigo com quem esteve durante toda a noite, devem ser detidos para serem interrogados.
Para perceber melhor o caso, a equipa de reportagem deste jornal, na manhã desta segunda-feira, 11, deslocou-se a Esquadra do Ângelo, e ouvimos o comandante Guilherme Calunga, que refuta as acusações e diz que tomou conta do caso, através de diligências, e chegou a conclusão que o cidadão em causa encontrava-se totalmente debilitado, devido a constantes bebedeiras.
O comandante explicou ainda que foram mais ao fundo do caso através de algumas fontes, e apercebeu-se que a vítima terá sofrido um derrame cerebral (AVC), que originou na intervenção cirúrgica.
Quanto ao processo, o comandante esclarece que a esposa foi a esquadra não para participar a situação, mas para informar sobre o cartão multicaixa que o marido supostamente havia entregue a vizinha, em troca de 5000 mil kwanzas para beber.
"Ela quando veio cá estava mais preocupada com o cartão multicaixa do esposo, alegando que foi recebido pela senhora, e que deveríamos intervir para devolução", disse.
Informou também que, para a detenção dos supostos culpados, está a depender da autópsia que determinará o que terá causado a morte ao militar.
Este jornal sabe que até momento ainda não foi feita a autópsia, e que a vítima deixa duas filhas de 22 e 20 anos respectivamente.








