Tribunal da Comarca de Luanda adia pela oitava vez julgamento de jovem acusado de matar a mulher por causa de 10 mil kwanzas
O Tribunal de comarca de Luanda, Dona Ana Joaquina, adiou pela oitava vez, a secção de julgamento por crime de homicídio, em que foi vítima a cidadã Madalena Pascoal Pembele, de 20 anos de idade, e é acusado o seu esposo, identificado nos autos por Edson Van-Dúnem Cusselama.
Por: Cambuta Vieira
Desde o dia 14 de Julho do ano em curso, que foi marcada a primeira audiência, na nona secção da sala de crimes comuns, do tribunal Dona Ana Joaquina pelo juiz da causa, Fernando Kikulo, a verdade é que tem sido um vai e vem, situação que deixa aborrecido o pai da vítima, Manuel Pembele Puri.
De acordo com o pai da vítima que falou em exclusivo para o Na Mira do Crime, no passado dia 05 de Novembro, foram notificados pelo tribunal, dando conta que o caso terá uma nova Juiza, e que dia 14 do corrente mês seria à audiência.
"Não estamos a perceber o que se passa, há bastante indícios que o processo está viciado, porque entendemos que o tribunal está a dar cobertura ao homicida" disse.
Explicou que tem sido muitos custos nos táxis, que até ao momento perderam a conta de quanto já se gastou com este “vai e vem”.
“O tribunal alega que o homicida está foragido, e foi elaborado um mandado de detenção no dia 04 de Setembro, sendo que no dia seguinte, 05, foi encaminhado para o SIC-Luanda, então, por que que até hoje não se apanha o assassino”, questionou.
"Não basta o transtorno moral de perder a filha, agora mais esse vai e vem do tribunal, é doloroso esse abandono por parte de quem deveria fazer valer a justiça" lamentou.
A família diz que desconhece a identidade da nova juíza, e que não conhece as reais causas da substituição do anterior.
Recorde-se que o crime em causa ocorreu no dia 26 de Abril de 2023, no distrito urbano do Zango, município de Viana, quando o suspeito, Edson Van-Dúnem Cusselama, na companhia da sua irmã, Esperança Van-Dúnem Cusselama, terão agredido fisicamente a jovem Madalena Pascoal Pembele, por supostamente ter transferido 10 mil kwanzas do seu aplicativo no telemóvel, tendo conhecido a morte horas depois numa unidade hospitalar.
O caso
O crime aconteceu no dia 26 de Abril de 2023, quando Madalena Pascoal Pembele, de 20 anos de idade, fez uma transferência de 10 mil Kwanzas a partir do telemóvel do seu esposo, Edson Van-Dúnem Cusselama, de 30 anos de idade, para o seu irmão mais novo.
O marido não gostou da atitude da esposa e, com ajuda da sua irmã, espancou brutalmente a mulher que não resistiu à tamanha crueldade e sucumbiu horas depois, no hospital Casa Amarela, do zango 2.
O pai da malograda, Manuel Pembele Puri, entrevistado na altura pelo Na Mira, disse que a sua filha deixou um casal de filhos: Manuela de 5 nos e o Kiami, de 1 ano de idade.
"Só sei que o assassino da minha filha trabalhava na cidade, não sei o local e nem a profissão dele. Eles viviam no Zango -01, mas mudavam sempre de casa para evitar que a família conhecesse os seus aposentos", disse, salientando que era essa a estratégia do seu genro.
Puri não compreende a atitude do genro, porque era querido no seio familiar e recebia todo amor e carinho.
"Nós o recebíamos bem na família; era um genro querido, mas depois da morte dela, descobrimos que a nossa filha vivia um verdadeiro terror e que a pessoa que ela chamava de marido afinal era o seu predador", concluiu, precisando que os vizinhos contam que ela era espancada constantemente.
No dia em que ela efectuou uma transferência a partir do telefone do marido, este usou a máxima força para agredir a esposa, que ainda foi a tempo de chamar a vizinha para lhe ir deitando água, mas a terapia não surtiu efeito e, a caminho do hospital, o quadro de saúde agravou-se e faleceu.
Isabel Tavares Pascoal Puri, mãe da malograda, conta que quando o genro ligou, a primeira coisa que ela pediu era para falar com a filha ao telefone.
"O marido dela ligou de manhã e ouvia-se muita gritaria, mas quando a minha filha recebeu o telefone só falou duas palavras e caiu, às 10 horas da manhã do dia 26 de Abril. Voltei a ligar, e ele já não atendia o telefone. Vizinhos dizem que o agressor arranjou uma moto de três rodas e foi em direcção ao hospital, e posto lá apresentou-se como vizinho dela não como marido”.
O que gerou sentimento de repulsa é o facto do acusado ter sido detido, mas posto em liberdade no dia 5 do mesmo mês.
"Tivemos uma audiência no dia 21, mas ele já não apareceu. Alguém que assassinou uma pessoa é posto em liberdade desta maneira, sem ser levado a juízo? ", questionou, pedindo que justiça seja feita.
Para o pai da malograda, dizia que o ideal era o jovem permanecer na cadeia e ser submetido a um julgamento justo.








