Juiz da Comarca de Belas acusado de engavetar há 5 anos processo dos trabalhadores despedidos da empresa Martfer Construções Metálica Angola
Victor Magalhães, Juiz da terceira secção da sala de trabalho da Comarca de Belas, está a ser acusado pelos antigos funcionários da empresa Martfer Construções Metálica Angola, de sonegar em seu gabinete o processo número 585/19, que dura há 5 anos, favorecendo assim a direcção da referida empresa.
Por: Cambuta Vieira
O problema vem se arrastando já há 5 anos, quando no dia 24 de Maio de 2019, os trabalhadores da empresa Martfer Construções Metálicas Angolana, decidiram manifestar-se, exigindo melhores condições de trabalho, situação que não foi vista com bom agrado pela entidade empregadora, contou Samuel António Dongoxi, secretário do Sindicato dos Trabalhadores da Empresa.
"Fomos despedidos sem justa causa, a entidade empregadora alegou quebra de confiança, por esse motivo a empresa diz que só vai fazer o pagamento de três ordenados, decisão que nós, como trabalhadores, não concordamos", disse.
O sonho dos trabalhadores é regressar à empresa, mas se isso não acontecer "então que se formalize os contratos do colectivo e a empresa proceder ao pagamento do dinheiro certo, uma vez que trabalharam por mais de 10 anos.
"A empresa alega que só está em condições de nos dar 03 salários, coisa que nós repudiamos", informou Ernome Mutango Muleba, de 55 anos de idade.
"Sempre que vamos para lá, o escrivão diz que o processo está no gabinete do juiz; é sempre assim todos esses anos", sublinhou, afirmando que é pai de 6 filhos, sendo que 4 deles já não estudam por falta de dinheiro.
Às vezes, acrescenta, tem que depender dos vizinhos para se alimentar, tendo pedido ajuda para ultrapassar a situação.
Considera que o mais doloroso é que a empresa Martfer Construções, colocou os seus nomes no Jornal de Angola, dando conta que tinham abandonado os postos de trabalho, "coisa que não condiz com a verdade".
"Isso tem nos dificultado muito; temos os nomes manchados por má-fé de uma entidade empregadora", chutou, lembrando que nunca fecharam as portas ao diálogo, desde que fosse sério com interesses das partes em jogo.
"Nós já escrevemos duas vezes para o tribunal, mas sem sucesso.
Ernome Mutango Muleba, em acto contínuo, fez saber que os seus colegas, Rui Caquema e Manuel Micas Cassinos já não fazem parte do mundo dos vivos, por falta de dinheiro para acudir as necessidades hospitalares.
"Nós vimos esses colegas a adoecerem e nós de mãos atadas, porque não tínhamos recursos. Hoje, são os seus filhos que não estudam", referiu.
Santos Daniel Dias, também trabalhador da referida empresa, alega que os seus filhos, neste momento, encontram-se fora do sistema escolar por falta de verbas para pagar as propinas. Nas mesmas condições estão os filhos de tantos outros colegas.
"Nós clamamos por ajuda do tribunal, para que seja célere na resolução desse problema", rogou, salientando que, semanalmente, gastam mais de 3 mil kwanzas.
"Estamos a falar de 12 mil mensais, sem contar com custos adicionais", contabilizou.
De lembrar que a empresa em 2019, colocou na rua 61 funcionários, sendo que 28 cujos nomes foram publicados no Jornal de Angola, na edição de 12 de Dezembro de 2019 por abandono de trabalho, uma situação que alegam completamente infundada.








