Pescadores desaparecem em alto mar há mais de 40 dias, “Capitania de Luanda diz que não sabe de nada”
Victor Mujanja “Cabo Russo”, Estevão Gonga Endeleque “Laton”, João Felipe “Jamba”, Francisco Manuel Joaquim “Kikola”, Fábio Manuel “Léo”, Francisco Gomes Fernandes “Ti Chico”, com idades entre 25 e 34 anos de idade, desapareceram em alto mar há mais de 40 dias, no entanto, a capitania de Luanda, diz não saber de nada.
Por: Cambuta Vieira
Na passada sexta-feira, 11 de Outubro, por volta das 06 horas da manhã, um grupo composto por seis elementos fizeram-se ao mar, numa embarcação de cor azul e branca, com a matrícula LDR-1165, denominado Agap, com intuito de exercer a actividade piscatória. De lá para cá, passados mais de 40 dias, não há sinal de vida dos integrantes.
Ruth de Almeida, esposa de Francisco Manuel Joaquim, de 29 anos de idade, realçou que o esposo é pescador há 3 anos.
"Eu tenho acompanhado sempre o seu trabalho, ele vai a pesca e tem ficado por lá durante 14 ou 15 dias, uma vez que lá não há comunicação" disse.
“Passados mais de 20 dias, comecei a achar estranho e desloquei-me até a casa do proprietário da embarcação, procurando saber o que terá acontecido, mas até hoje não temos resposta”, explicou.
"Tudo que queremos é que eles apareçam, não importa as circunstâncias, mas apareçam", pediu.
Neusa Alzira Massundiri, esposa de Fábio Manuel, pescador há já algum tempo, disse que era a primeira vez que o seu esposo embarcou com o referido grupo.
“O meu marido mantinha sempre comunicação quando ia a pesca, durava no máximo uma semana, mas agora, passado esse tempo todo, começamos a nos preocupar e manter, temos mantido comunicação com o proprietário da embarcação", notou.
“Estamos aflitos, desesperadas, não sabemos mais o que fazer, clamamos por socorro, por favor, nos dizem alguma coisa" chorou.
Por sua vez, Alfredo Simão, irmão de Francisco Gomes Fernandes, disse que tão logo notou a demora, procurou o dono da chata, que informou que já havia alertado a polícia, o SIC e a Capitania, todos localizados na Samba, isso no dia 13 do mês em curso.
“Eu fui pessoalmente até a esses lugares que me disseram, e lá a polícia alegou que estava a tomar as providências, mandaram deixar os contactos, mas até hoje, quarta-feira, não disseram mais nada”, reclamou.
Segundo conta, já foram até a polícia fiscal na Ilha de Luanda, onde foram informados que não têm conhecimento de nada.
“Fomos até a capitania da Ilha, expliquei e disseram também que não sabiam de nada, eu admirei, uma vez que a Samba alega que enviou os dados para Ilha, deram-me um número que chamava e não atendia, no dia seguinte, fomos para lá, ficamos das 09 horas até as 15 horas, mas não nos atenderam”, lamentou.
"Estão a nos abandalhar porque não são seus familiares, clamamos por ajuda urgente, são vidas humanas, deixaram famílias, queremos um esclarecimento das autoridades", exigiu.
A equipa deste jornal, deslocou-se até a casa do proprietário da embarcação, Alberto Joaquim, e este explicou-nos que os jovens trabalham para si há dois meses.
“O meu trabalho é preparar gelo, combustível, alimentação, e o mestre é quem decide quando partir, dessa vez não foi diferente", aclarou.
Disse que no dia 11 de Outubro, os pescadores partiram às 06 horas da manhã, passados 20 dias, não deram nenhum sinal, “fiquei bastante preocupado e accionei de imediato a polícia da Capitania, localizado na praia da Camuxiba, isso no dia 01 de Novembro”.
“Por sua vez”, conta, “a Capitania da Samba mandou o relatório para a secção de busca e salvamento da capitania do Porto. A princípio, estávamos calmo, porque a família do mestre da embarcação não aparecia, pensamos nós que estavam a se comunicar, porque tem vezes que os pescadores vão vender o produto em outro local, comunicando a família, mas não era esse caso, só no dia 10 é que eles vieram ter comigo, enquanto proprietário, então vi que às coisas eram graves”.
Realçou que no sábado, 23, voltou para a Capitania da Samba, mas sem sucesso.
"Eles alegam sempre que estão a trabalhar".








