Agachamento e dedos nas partes íntimas: Mulheres reclamam de excessos das agentes penitenciárias durante revistas na “Comarca de Viana”
Mulheres que vão ao Estabelecimento Penitenciário de Viana no sentido de efectuarem visitas aos seus familiares, denunciam que, antes de se fazerem ao interior daquele estabelecimento, têm sidos submetidas a revistas em partes íntimas do corpo pelas agentes Penitenciárias, que muitas vezes cria situações menos boas.
Por: Solange Figueira
O Na Mira do Crime esteve no Estabelecimento Prisional de Viana, e ouviu algumas senhoras que aí se deslocaram para efectuar visitas aos seus familiares.
Jandira Domingos, disse que antes de entrar, é obrigada a tirar a roupa e fazer agachamento, afim das agentes confirmarem se carrega consigo alguma coisa ilícita.
“Eles dizem que é para saber se levo algum objecto contundente, droga, ou então algo que periga não só os presos, como também a segurança da instituição, mas acho isso muito ridículo, uma vez que já há meios sofisticados para este tipo de trabalho, como é o raio-x, por exemplo”, disse.
Algumas visitantes, encaram o procedimento como algo normal, enquanto que outras condenam a mesma atitude, visto que chega a ser desconfortável para muitos que se deslocam naquele local.
Dona Isabel, de 55 anos de idade, há oito meses que faz visitas regulares aquele espaço, “venho aqui há oito meses, devido o meu filho que está preso”.
Diz que sente-se mal no momento de revista. "Aqui na Comarca de Viana, tem dois horários de visitas, um às 12 horas e o outro às 15 horas, sinto-me envergonhada e desconfortável, com a minha idade ter que passar por isso. Quando venho visitar o meu filho tenho que passar por este processo horrível, por causa da burocracia que tem aqui, primeiro pedem-nos para tirar a peruca, depois uma das agentes aproxima-se de nós e exige para levantarmos a sutiã. De seguida, exigem para tirar as calças, saia ou vestido, depois mandam baixar a cueca, no sentido de ser apalpada nas zonas íntimas”, lamentou.
"Depois de passarmos por tudo isso, só assim é que permitem a nossa entrada, não consigo me acostumar com isso, acho desumano, ainda por cima temos que sofrer tudo isso em silêncio", reclamou.
A jovem Maria João, de 38 anos de idade, que há cinco anos tem feito visitas ao seu irmão, condenado e colocado na Comarca de Viana.
Explicou que já passa por esse processo desde o momento que começou a frequentar aquele local.
"Não tenho como não me acostumar”, atirou, “são cinco anos de muito sofrimento e crueldade, e antes era bem pior, nós somos apenas dois irmãos, não temos mãe, meu irmão não tem ninguém para o visitar, sou eu quem o visita, se eu me recusar a passar por isso ele ficará abandonado".
Segundo contam, até a comida que levam é totalmente amassada e revirada, antes de ser entregue, “eu tenho que provar, comer para eles verem que não tem veneno ou droga. Não podemos levar garfos e pratos, as tigelas têm de ser de plásticos, antigamente o procedimento de revista era pior, obrigavam as pessoas ficarem totalmente nua”.
Contam que, actualmente, na Comarca de Viana, já existem algumas agentes prisionais com mais sensibilidade, e pedem com que sejam as mesmas visitantes a se fazerem as revistas.
"Mas há outras agentes que acabam por ser muito agressivas com os familiares, parece que têm prazer em passar as mãos nos órgãos genitais das mulheres iguais", denunciou.
Uma outra jovem, conhecida por Catarina José, de 29 anos de idade, conta que faz visitas há 2 anos, por canta do seu esposo que está preso.
Alegou que, para ela, esse procedimento de revista é muito normal e ressaltou que aquelas agentes só estão apenas a cumprir o que lhes é orientado.
"Para mim isso é normal, as agentes estão apenas a fazer o seu trabalho, porque muitas visitantes que aqui ocorrem têm escondido drogas nas partes íntimas, ou coisas ilícitas, proibidas de entrar na prisão. A revista que fazem é para o nosso bem, já estou habituada com este tratamento por parte delas", concordou.
Silêncio no SP
A nossa reportagem contactou o Porta-voz dos Serviços Prisionais para o contraditório, mas, passadas mais de 24 horas que garantiu tomar uma posição, verdade é que até o lançamento desta matéria, não fomos tidos nem achados.








