Justiça corrompida? Bruno Fragata acusado de violar oito crianças em Luanda foi posto em liberdade “e já deve ter escapado” do país
Os familiares das oito menores que supostamente foram agredidas sexualmente pelo cidadão nacional Bruno Fragata Pinto, de 39 anos de idade, residente na rua de Benguela, zona do São Paulo, município de Luanda, distrito urbano do Sambizanga, apelam aos órgãos de direito no sentido de se apurar os reais motivos que estiveram na base da soultuara do acusado, na passada terça-feira, 18, após ter sido ouvido por um Juiz de Garantias.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
O acusado encontrava-se detido na Esquadra do Bairro Operário desde o pretérito dia 09 do mês em curso.
Os familiares das menores lançam o grito de socorro pelo facto de não obtiverem uma explicação plausível das razões que estiveram na soltura do acusado, e desconfiam que há vícios em torno do processo.
Deolinda de Sousa, mãe de uma das meninas, explicou ao Na Mira do Crime que Bruno já não se encontra na Esquadra do Bairro Operário, e a informação que têm é que ele foi ouvido pelo Juíz de Garantia na segunda-feira,16, e dois dias depois foi posto em liberdade. "Temos informações que ele já não se encontra no país", lamentaram.
"O dinheiro dele falou mais alto, não se entende como o colocaram em liberdade, uma vez que ele mesmo confessou ter realizado os abusos às menores, alguém tem que nos ajudar a rever a situação, informações que temos é que ele viajou para fora do país, ninguém consegue nos explicar nada", lamentou.
Desmotivados, os pais das crianças dizem não entender quais foram as razões para a sua soltura, e desde o princípio que foram alertados que a família do agressor (endinheirada), tudo fazia para corromper a justiça, e que tinham preparado somas avultadas em dinheiro para corromper quem quer que fosse.
"Pedimos que os órgãos de soberania nos ajudem a descobrir o que esteve na base da soltura do agressor", pediram.
Advogado recorre da medida
Contactado pela nossa reportagem, o advogado da família das menores, Alfredo Capitía, avançou que já recorreu junto do Tribunal de Apoio ao Juíz de Garantia, conhecido como “Casa 90”, localizado no Kinaxixi, onde o arguido terá sido ouvido, para saber da medida de coacção aplicada ao suspeito.
"Embora tenhamos a informação de que o arguido terá sido posto em liberdade, sem o despacho do Meritíssimo Juiz, ainda não podemos avançar qualquer informação relativa ao caso, estou a trabalhar no sentido de ter contacto com o despacho e saber o que diz o Meritíssimo junto do Tribunal de Garantias, uma vez que o caso ainda se encontra em segredo de justiça”, explicou.
Disse que tão logo ter contacto com o referido despacho, terá conhecimento exacto da circunstância em que o indivíduo terá sido posto em liberdade.
Suborno
Familiares das vítimas já haviam denunciado tentativas de suborno por parte do cidadão Bruno Fragata, detido na passada segunda-feira, dia 09 do mês em curso, pelos operacionais da Polícia Nacional destacados na Nona Esquadra, junto ao antigo mercado Roque Santeiro, pelo crime de agressão sexual a oito menores, com idades entre 07 e 14 anos, concorridas com tentativa de suborno as autoridades.
A descoberta dos factos foi possível quando uma das meninas, de 14 anos de idade, a mais velha das demais, terá apresentado comportamentos fora do normal diante dos progenitores, o que despertou a atenção dos mesmos, tal como conta o pai da referida vítima.
Segundo o progenitor, após a família ter chegado a casa do acusado, o mesmo não mostrou resistência, tendo admitido os actos ilícitos e tentou subornar com um milhão de Kwanzas a cada uma das famílias e aos agentes da polícia.
"A minha filha tem 13 anos de idade, só me apercebi do caso quando as vizinhas me mandaram chamar, isto já na nona esquadra”, contou a mãe de uma das vítimas, sublinhando que o acusado abusava as menores com penetração e sexo oral, usando fantasias sexuais, aliciando-as com hambúrguer e outros bens.
A família do acusado, segundo os queixosos, tentou abafar o caso prometendo dinheiro, tal como narrou o senhor Bravo numa das reportagens do Na Mira do Crime.








