Filha de superintendente da polícia - Jovem de 22 anos faz-se passar por fornecedora de perucas e burla mais 450 mil kwanzas
Uma jovem identificada apenas por Tomásia, de 22 anos de idade, fez-se passar por fornecedora de perucas a um preço módico e burlou 450 mil Kwanzas, no mês de Junho de 2024 e simplesmente desapareceu.
Por: Solange Figueira
Três mulheres com idades entre os 25 e 40 anos contactaram a acusada de quem receberam a garantia de que com 450 mil kwanzas teriam perucas vindas do estrangeiro a um preço baixo, uma promessa que não foi cumprida, porque a acusada desapareceu sem deixar rastos.
Carla, empreendedora de 40 anos de idade, detentora de um salão de beleza, conta que foi a primeira a fazer negócio com a acusada, e influenciou as suas amigas empreendedoras do mesmo ramo a fecharem negócio também.
"Eu conheci a Tomásia em 2022 por intermédio das redes sociais, fiz encomendas de puchinhos e ela trouxe. Em 2024, ela entrou em contacto comigo de novo e disse-me que estava com os novos fornecedores, e porque a proposta parecia boa, avisei a minha sobrinha, e a minha amiga”, contou, referindo que ela, por não ter dinheiro, pediu emprestados 100 mil kwanzas da filha.
A este valor juntou mais 100 mil dados pelo marido. A promessa era de receber o produto em um mês.
“Em Novembro último, vimos que o tempo era demasiado e decidimos ir à casa da jovem, sita no Golfe 02, onde foram recebidas pelo pai, de nome Tomás, que é superintendente da polícia, da Esquadra Vila Estoril, ao lado dos bombeiros”, desvendaram.
Para a surpresa de todas, este informou que a sua filha não vendia perucas e que nós não éramos as únicas a bater a porta da sua casa a cobrar, desvendou. E mais: confessou que a filha era mesmo burladora.
O progenitor da acusada pediu os terminais telefónicas das queixosas, mas nunca ligou.
Por isso, decidiram apresentar queixa à esquadra do Kilamba Kiaxi, onde, para sua surpresa, encontraram a Tomásia e a ser tratada por “filha do chefe”.
Afinal, o pai dela era oficial da polícia naquela esquadra, e momentos depois apareceu fardado e a ser tratado com o devido respeito pelos seus subordinados.
“Ele disse que pelo facto de ele ser polícia e chefe daquela unidade, ele seria imparcial e o processo seguiria na normalidade, o que não aconteceu e alguns dias depois, ele ligou para nós a dizer que por causa da nossa pressão a sua filha vai se suicidar”, narrou, acrescentando que o senhor assegurou que já não vivia com a acusada e que mãe dela está em Portugal e passaria a enviar 100 Euros mensalmente até liquidar a dívida.
As queixosas acreditam que, o facto de o pai ser polícia está a retardar ainda mais o processo; pelo que pedem ajuda das autoridades.
Dona Alexandra diz que deu o dinheiro à acusada por intermédio da Dona Carla, por ser sua amiga.
"Também tenho salão de beleza e pelas fotografias que a jovem me enviou, vi que os preços eram acessíveis e dei 150 mil kwanzas”, calculou, confiando na sua amiga que já vinha fazendo negócio com ela.
Os repórteres deste Jornal chegaram à fala com o pai de Tomásia que pediu para ser tratado apenas por Tomás.
“Sou o pai da Tomásia não sou polícia, mas não vejo a minha filha há três meses, quando as senhoras foram fazer a denúncia, eu estava na esquadra apenas porque trabalho lá, elas encontraram-me a trabalhar, os crimes não são transmissíveis”, precisou, para depois ameaçar os repórteres com um processo-crime, caso o seu nome constasse da reportagem.
Por sua vez, em conversa com Tomásia, esta reconhece que o negócio deu errado, sendo esta a razão que a leva a não honrar o compromisso, para além de estar desempregada.
“Fiquei sem pagar as pessoas a quem devo este tempo todo porque estou sem emprego, não sou burladora apenas fiz negócios que não deram certo, pretendo resolver a situação”, prometeu.








