"Caso Leonardo" - Julgamento do Efectivo do SIC que matou jovem de 23 anos no Rocha Pinto continua rodeado de ‘brincadeiras’
Domingos Flevo, juiz da causa; Bento Damião, representante do Ministério Público, procederam na manhã de 14 de Janeiro, no Tribunal Provincial de Luanda, Dona Ana Joaquina, ao arranque da quarta sessão de julgamento, em que é arguido Francisco Leonardo "Chico" agente de primeira classe, para responder ao processo número 646/2024, pelo assassinato do jovem Humberto Afonso Calunga, de 23 anos de idade.
Por: Cambuta Vieira
Na manhã de 14 de Janeiro, na quinta secção do tribunal, arrancou a quarta sessão do julgamento, com vista a ouvir a testemunha da parte da defesa que se encontrava na província do Cuanza-Sul.
Na presença do Juiz, Ministério Público, advogados e familiares, a testemunha identificada nos autos por Makúa Bumba, foi convidada a prestar o seu depoimento.
Alegou, em sede de audiência, que não presenciou nada, tão pouco esteve no local dos factos.
Por esse motivo, o tribunal suspendeu o depoimento da testemunha de defesa.
Veloso Malavo Issenguele, advogado de acusação disse que "o que se passou é o acusatório a se consolidar cada vez mais. A defesa insistiu na manobra dilatória, arrolar um cidadão que não presenciou os factos, assim sendo, não é testemunha, isso foi uma demonstração clara da violação dos estatutos da Ordem dos Advogados de Angola, no seu artigo número 62 , alínea b".
Em seu entender, um advogado não pode requerer diligências inúteis, em função disso, nós acusação, achamos conveniente requerer que constasse em acta, o nosso pedido para comunicar à ordem, no sentido de chamar a razão a este colega, que não está comprometido com a causas da defesa dos direitos e liberdades fundamentais; está a brincar com o tribunal, porque ele sabia que a manobra dilatória que executou, era para retardar a produção da prova e a celeridade processual, sublinhou.
De recordar que o crime aconteceu às 22 horas do pretérito dia 11 de Novembro de 2023, no bairro Rocha Pinto, município da Maianga.
O veredicto final está marcado para o dia 21 de Janeiro, às 10 horas.
Réu raptou advogado de acusação meses antes de cometer o homicídio
O Na Mira do Crime sabe que, Francisco "Leonardo Chico" além deste processo, responde também pelo processo número 664/024 na Polícia Judiciária, onde o mesmo e os seus comparsas, no pretérito dia 08 de Junho de 2023, por volta das 14 horas, na companhia de seus comparsas, se introduziram na residência do agora advogado de acusação, Veloso, sem mandado nenhum, munidos todos de pistola, bateram a porta, alegando que procuravam um jovem chamado Nelson, natural de Cabinda.
O advogado, em acto contínuo, fez saber que depois de passar alguns minutos, veio um carro sem matrícula, modelo i10, raptaram-lhe até à esquadra do Capipa e, pelo caminho, agrediram-no com o cano da pistola e exigiam 700 mil Kwanzas.
Meteram a bala na câmara da pistola e apontaram-na à testa e exigiram que tirasse o código do telemóvel sob pena de ser morto.
"Eu fiz tudo que eles exigiam", lembrou, referindo que por intermédio de um telefonema, "eles se apercebam que eu sou advogado e decidiram me soltar, mas antes eu questionei-lhes sobre quem se queixou contra mim, e Leonardo disse que o Presidente da República tinha mandando investigar -me".
O advogado terá solicitado o número do processo, mas Leonardo respondeu que não havia processo nenhum e deixou claro que tinha influências suficientes que anulariam todas as queixas contra si.








